quinta-feira, fevereiro 02, 2006

O Esquilo


Hoje eu vi um esquilo.
Pela primeira vez na minha vida.
Quase tropecei nele.
Estava voltando da tv a pé, passando ali por aquela região bacana entre a Igreja dos Capuchinhos e o Canal da Música. De repente olhei e ele estava ali, parado na minha frente, igualzinho nos filmes, a cauda peluda, segurando uma semente ou sei lá o que, o nariz tremendo, os olhos fixos em mim. Fiquei ali surpreso, como... como... sei lá! Eu nunca tinha visto um esquilo na vida. 30 anos e nunca vi um! E de repente, tava ali, parado. Eu podia ter pisado nele. O bichinho olhou pra mim, virou as costas, e subiu numa árvore. Um motoboy parou do meu lado. “Cara, isso é um esquilo!” É sim. “Nossa, parece que ele não tem medo da gente.” É. E daí o Teco ( ou o Tico, sei lá) desapareceu no topo das árvores. O motoboy: “Cara, que louco!” e eu me senti menos sozinho naquele momento surreal. O motoboy seguiu o caminho dele e eu segui o meu.
Extraordinário.

Mas tem mais (embora a participação do esquilo tenha terminado aqui).

Estou começando meu mestrado, pensando em relações entre tecnologia e a produção de histórias em quadrinhos. É o trabalho mais bacana e inspirador que já fiz. Estou ansioso pra começar os estudos e espero conseguir agüentar o tranco, porque dizem que mestrado é pedreira. Acontece que sábado, um dos maiores quadrinistas do Brasil estará aqui em Curita. Pra não perder a oportunidade, pensei em marcar uma entrevista com o homem. Mandei um e-mail e como resposta recebi um número de telefone.
Era simples: telefonar e conversar. Daí que acontece, a gente chega nos trinta, pensa que está mais velho e maduro e, portanto, livre das jacuzices que se comete quando se é um fã adolescente. Eu sei que do outro lado da linha tem um homem, um artista, um trabalhador do nanquim. Um sujeito comum como eu. Eu devia conversar, agendar a entrevista, simples assim. Mas quando ouço a voz do outro lado da linha eu não consigo acreditar que estou falando com o Homem. O Homem que escreveu e desenhou alguns dos álbuns de quadrinhos mais bacanas que li nos últimos quinze anos. O Homem que eu conhecia só através de algumas entrevistas e umas fotos nos versos dos álbuns. Eu sei que é apenas um homem comum, e que eu estou sendo extremamente jacu, mas quando ouvi a voz do outro lado tive a impressão de um circuito que se fecha, um torvilhão de imagens passam pela minha cabeça, a cena exata da compra do primeiro álbum, o momento da leitura da história que mais me marcou, as conversas com os camaradas madrugada adentro sobre a obra do homem. Consigo marcar a entrevista, gaguejando e dizendo algumas pequenas pérolas da tietagem, mas pra minha sorte o homem é gente fina e tem paciência comigo. E no sábado nos veremos. Quando ponho o telefone no gancho tenho vontade de gritar.
Hahahaha. Eu falei com o Homem, eu falei com o Homem. Eeeeeeee.
Pode ser uma atitude jacu da minha parte, mas tem essa magia do mito, do ser abstrato que existia apenas como idéia por trás dos textos e desenhos, e de repente fala com você ao telefone. Perdoem minha jacuzice.
Amanhã estarei sóbrio.
Por hora, me deixem curtir o momento...

6 comentários:

Edna Marta disse...

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!
LIBER, A TERAPIA TÁ FAZENDO EFEITO!!!!!

COOL, DEEP AND GLAD!!!!!


YEAHHHHHHHHH!!!!!!

Anônimo disse...

Ola (d)mocinho ...
Realmente seu blog esta maravilhoso, embora tenha esperado um convite para visitá-lo e esse não veio, fui dar uma fuçadinha no seu orkut, e lá estava ele com cores chamativas, não resisti e entre sem ser convidada... acredite me deliciei ... você desenha tão bem quanto escreve, adorei ler você, e sua descrição do esquilo foi tão perfeita que consegui não só imaginar a cena como narrar para minha mamily...rss ela adorou, quanto ao segundo texto sem comentários, sei muito bem o que é ligar para uma pessoa a qual não conhecemos mas temos uma enorme expectativa sobre ela, mas relaxe o primeiro passo você já deu, e como disse meu professor em relação a você “a admiração nos leva a tietagem sem que nos percebemos, e se percebemos por alguns momentos não nos importamos por que a experiência e a energia vale muito mais que qualquer conceito ultrapassado” por isso Líber aproveite cada momento..., troque muitas informações e quando sobrar um tempinho compartilhe as comigo..
Um super beijo, admiro muito você ...
Ah.... e o filme eu quero assistir contigo, se ainda não tiver assistido é claro?!
Beijos
Hana Paula Petry

racg68 disse...

QUE LINDO!
IIIIRRRCHHHH!!!!
Cadê o liber de sempre? Soturmbático, melancólico, dark?
Você tá ficando muito ualdisneiano.
Que é isso cara!?

peter parker disse...

Grande Liberzeiraaaaaaa!
que massa saber desse teu blog, muito bom!
A primeira vez que vi esquilos foi no parque primavera, lá pros lados do tangua. Achei muito massa o bichinho, muito engraçadinho. Agora no meio da cidade, po, surreal a parada mesmo!
Manja o "cheiro do ralo"? O camarada que me emprestou ele falou que conversou com o Homem certa vez na Itiban, e diz que o cara é super gente fina, então mano, acho que vai dar tudo certo e vai ser bem legal essa tua entrevista com ele, blz?
Grande abraço mano, tempo que não nos vemos pessoalmente mas a amizade e tudo o mais não diminuiu um milímetro sequer por causa disso, então o abraço aqui é sincero e verdadeiro.
Tudo de bom mano!

ana carolina pereira disse...

Eu nunca vi um esquilo.
Eu nunca vi o Mutarelli também.
Mas qualquer um deles pode saltar de trás de um árvore de repente, segurando uma noz na mão.
Ah, eu também nunca vi o Selton Mello.
......whatever......

Cinthia disse...

Olá Sr. Liber
Gostei do seu blog, e gostei do texto do esquilo. Às vezes a gente nos reserva esses momentos de inspiração da natureza, não é mesmo? Virei mais vezes :))) Beijinho, a irmã do Fabiano