quinta-feira, agosto 10, 2006

Diário de Bordo 2: IRRAAAAAAAAA!!!!

O show da Bethania foi massa. Tipo assim, eu não curto, mas ver ao vivo sempre é impressionante. Ontem foi noite de lua cheia. Vc não faz idéia do que é caminhar pelas ruas de Paraty em noite de lua cheia. Mais loucura ainda é caminhar pra praia do Jabaquara, onde eu estou hospedado. Loucura não é bem a palavra. Praia com lua cheia, montanhas ao redor.
Desisto.
É um esforço inútil tentar apreender o que pensei, senti, vivi. Inútil.
A água do hotel era gelada, mas o silêncio era total e a escuridão também. Noite muito bem dormida (eu estava um bagaço). Dia seguinte café da manhã vendo a baía. Cara, a pousada é muito massa. Tinha uma família de franceses que trocou umas idéias legais comigo. Pelo menos dentro dos limites da linguagem. O café da manhã é num tipo de varandão, pássaros entram, chegam bem perto da gente. Pode não ser muito higiênico mas é bacana. Very cute.
Daí fui pro Forte do Morro. Que ficava num morro. Passei a manhã toda lá. Não que tivesse muita coisa pra ver, mas o clima estava muito legal. As rochas e o mar e umas árvores muito bacanas entre muralhas de pedras e canhões de 250 anos. Me lembrei do finado Jack Sparrow. Ha!
Comprei ingressos pra mais duas mesas e procurei um lugar bom e barato pra comer. Na verdade, estou começando a ficar meio irritado. Não dá pra dar dois passos nessa cidade sem que apareça um daqueles caras segurando um monte de folhetinhos e perguntando: "Vc gosta de poesia? São 7 reais." Pfff. Cara, é muito muito muito comércio. Demais. Satura. É que nem maratona, overdose, sei lá. Pra todo lugar tem 2 reais de entrada. Até na igreja. Caraio. E se eu quiser entrar só pra rezar? 2 reais. É a casa do Senhor, pô! Deus tá vendo...
De qualquer modo, trotei pela cidade batendo fotos e tudo mais. Bem bacana. Muito legal. E consegui achar um lugar legal pra almoçar.
A Flip propriamente dita começou às 17 h com a palestra "De Onde vem as Palavras" de David Toscana (México) e Mário de Carvalho (Portugal). Ah, que beleza. Que beleza. Os caras falaram um monte sobre a relação da escrita, da relação com o leitor, essa coisa tão fascinante, sensacional. Os dois mandam muito bem e conhecer o autor sempre muda o olhar sobre a obra. David era muito engraçado pessoalmente e sua obra parece ser bem forte, barroca, absurda. Mário era mais contido, mas era o que tinha as mais fortes idéias sobre o que significa escrever. De onde vem as palavras? De um lugar além das palavras. Hohoho.
E, por fim, Benjamin Zephaniah, negro, escritor, britânico, poeta, performer, mestre de kung fu. Impressionante. Ele falou sobre a vida, o racismo, a violência, a globalização, o rap. E não é disso que a boa literatura é feita? De vida?
De reflexão. De uma tensão constante entre espontaneidade e reflexão. Quanto mais vc pensa, mais perde a espontaneidade. E um texto sem espontaneidade é um texto morto. Por outro lado, um texto sem reflexão serve pra que? Pra deleitar quem? Onde está a literatura afinal? Essas palavras me vêm agora e são do Mário de Carvalho.
Zephaniah é louco, intenso e sensacional. Fez uma leitura impressionante de poemas. O engraçado era ver a moça da tradução simultanea tentar acompanhar seu ritmo alucinante. Eu fiquei com o fone no som original. O homem realmente impressionava. Conhecer o autor sempre faz diferença.
Bom, vou terminar por aqui. Queria desenvolver mais as idéias, mas não tenho tempo de continuar, meu horário no ciber café ta acabando. Por isso desculpem a falta de conexão entre as idéias e os erros de digitação. Isso aqui é escrita hard boiled. Hahahaha.
Agora vou sair com umas moças que conheci no café. Por que nem só de literatura vive o homem...
Boa noite e boa sorte...

Libs

2 comentários:

Anônimo disse...

Valeu Liber, continua escrevendo que pelo menos assim viajo com vc. Não me desculpo por não ter ido porque quem ralmente está perdendo sou eu.
Abraço
Piuí

Fábio disse...

Oi Líber, muito legal o diário. Dá vontade de partilhar deste pequeno não-lugar impregnado de letras e arte. Quem sabe o ano que vêm. Antes que as férias acabem, começei a ler hoje o Transubstanciação, do Mutarelli. São pequenas pérolas de humor, tragédia e amargura. Humanidade em estado bruto. Este domingo tente a ser um pouco melhor que os outros.
Abraço,
Fábio