quarta-feira, dezembro 13, 2006

Reflexões

Espelhos nos banheiros, espelhos nos elevadores. Na cadeira do cabeleireiro, nas academias. Rápidos olhares nos espelhos convexos das lojas. Espelhos de bolso, seus olhos olhando para você mesma da palma de sua mão. Todo mundo conversa, vez ou outra, com seu reflexo no espelho. O que distingue as pessoas é a natureza dessas conversas. Do comentário rápido e impensado sobre a aparência até os longos diálogos sem palavras nos primeiros minutos da manhã. Estou gorda demais, meu cabelo está caindo, hoje estou simplesmente sensacional, esta blusa é horrível. O seu reflexo é o seu juiz. Você olha nos olhos daquele que é e não é você e ele dá seu veredicto. Ah, e tem aqueles momentos que você foge dos espelhos, foge como quem foge de um credor, de um policial, de um pai furioso. O que se conversa com o espelho nessas horas? O que os olhos (que são uma sombra dos teus próprios olhos) te perguntam? Do que eles te acusam? O espelho é mágico e a mágica acontece dentro de nossas cabeças. Vemos um efeito ótico, um simplíssimo jogo de luzes explicado em qualquer livro de física básica. Mas na nossa cabeça, aquela imagem somos nós. Nossa própria sombra, com olhos para nos aprovar ou condenar. A mágica acontece dentro da nossa cabeça, nós fazemos acontecer.

E vemos aquilo que queremos ver.

2 comentários:

Anônimo disse...

Seu eu disser que alguns dos meus espelhos gostam de mim e outros não, vou parecer esquizofrênica?... :P

Caminhante

Teca disse...

Isso me lembra o mito da caverna do Platão: sombras entendidas como realidade...

Beijocas!