domingo, fevereiro 25, 2007

Afinal, pra que serve um blog?



Pois é, olha o Calvin aí de novo... Putz, mas esse vídeo é uma sacanagem com o coitado... Muito cruel! Ainda assim, é muito bom, você não acha?

Adoro o Calvin. Não é só por causa da genialidade do Bill Waterson. Acho que o que mais me cativa é a inocência do garoto. Afinal, como o próprio Bill gosta de lembrar, Calvin só tem seis anos. E pra ele, o Mundo é Mágico. Hehehe. Sabe, acho o Calvin meio parecido também com o Quixote. O Don Quixote de La Mancha e seus moinhos de vento. É como a carta de tarô do louco, dando um passo no vazio do abismo. Inocência e alegria rodeados da realidade dura e cruel. Sonhadores e visionários são mais bem vistos aos seis anos de idade. Estão sempre ali, no limiar da loucura. Seja lá o que isso signifique.


(Loucura ora pode ser alegria, ora pode ser desespero, mas sempre é solidão).


Uma amiga, a Rosaninha, me passou o link dessa animação. Uma outra amiga, a Karina, me passou um link de um livro sobre blogs. Você sabia que no mundo há mais de 66 milhões de blogs registrados e que a cada dia são criados outros 175 mil? O que é que o pessoal coloca nesses blogs?

Bom, muita coisa. Tem blogs que funcionam como verdadeiros sites comerciais, outros são fóruns de discussão, há os diários pessoais, os meios de expressão, a divulgação de trabalhos, há os blogs que são fenômenos culturais, etc. O blog pode ser um laboratório, talvez o começo de alguma coisa que a gente ainda não sabe bem o que é... Mas também pode ser nada. Outro dia eu achei sem querer um blog fantasma, um blog abandonado. Ele só tinha uma postagem, feita em agosto de 2005, se não me engano, e falava sobre o filme O Chamado. Tinha uma foto da Samara sentada no banquinho, os cabelos encobrindo o rosto. Tive uma sensação meio mórbida, fiquei pensando que eu era o primeiro a acessar aquela página abandonada em muito tempo. 66 milhões de blogs registrados e quantos desses estão abandonados, esquecidos pelos próprios autores? Queria ter o link pra postar aqui, mas não marquei na hora e acho muito difícil encontrar novamente. Perdido para sempre...

De que adianta você escrever ou criar algo que não pode partilhar? Acho que o que move o bloggeiro talvez seja o mesmo sentimento do fanzineiro e do escritor: aquele impulso primordial de se fazer ouvir. (“Me escutem, pessoas!!”) O blog faz a gente repensar a questão do autor. Pra começar, os direitos autorais foram pras cucuias. Não dá pra controlar o que vão fazer com as coisas que você posta. Isso é meio assustador. Mas, em compensação, você não precisa mais publicar um livro pra ter seus supostos talentos literários divulgados. Muito embora, o livro impresso goze de um tipo de dignidade e prestígio notórios em relação aos textos virtuais, o blog pode também pode atingir muita gente. E tem uma série de vantagenzinhas fabulosas proporcionadas pela maravilhosa tecnologia moderna. O lance dos links e do tal hipertexto. O tal vídeo do Calvin ali em cima por exemplo. Ou os links para páginas correlatas, que servem de referência ou complemento ao texto que você escreve. Isso abre possibilidades para uma nova forma de pensar a escrita, você não acha?

Comecei a escrever pensando no blog como um livro. Aquela maneira de pensar o texto impresso no papel, sabe? Queria que as pessoas lessem o que eu escrevo, queria saber se gostam ou não. Acho que eu queria fazer algo sério, pretensioso, com gosto de literatura. À parte minhas pretensões e limitações, eu demorei pra entender que o blog está mais próximo de uma revista semanal do que de um livro... Na verdade, o blog, a web em si, constituem uma mídia própria e é difícil traçar paralelos com a tv ou qualquer outra mídia anterior...

Na minha ótica medieval, antes eu via o blog como um livro, mas agora eu o vejo como um desses cadernos de viagem, esses cadernos grandes (sim, com brochura e capa de couro feitas à mão!) em que você anota o que viu durante o dia, desenha as pessoas que encontrou, coloca folhas de árvores e penas de pássaros entre as páginas. Mas no lugar das folhas e penas, vídeos e links que a gente encontra nas andanças pela web. Ou trechos de livros que a gente curte. Ou textos malucos, idéias soltas, esboços, fragmentos... cartas pra alguém que não existe. Sei lá.


Bem, esse é o meu caderno de esboços.

Enjoy it.

See you.

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