segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Deixa eu brincar de ser feliz

Então...

Estou passando por uma daquelas fases em que se é uma pessoa melhor quando se está bêbado. Se você é uma daquelas pessoas que não suportam bêbados, você não vai entender nada do que estou escrevendo aqui. Mas não se preocupe. Não suportar bêbados também é uma fase e se você tiver sorte ela passa logo. Então, eu estou assim: bebo e fico uma pessoa melhor. Não porque eu fico alegre ou mais ousado ou coisa parecida, mas é que eu simplesmente me torno eu mesmo. A voz de Deus dentro da minha cabeça se cala, a culpa some e todas as malditas lembranças tornam-se apenas lembranças. Eu consigo estar aqui, eu consigo ser eu mesmo, eu consigo...
Claro que cada um tem sua própria relação com o álcool. Existem os bêbados chatos, agressivos, homicidas. Mas não dá pra desconsiderar os bêbados engraçados e as bêbadas carinhosas e simpáticas. Socialmente falando, eu desapareço quando bebo. Fico num estado zen maravilhoso que eu chamo de "tá, e daí?". Sem riso, sem comentários espirituosos. O mundo fica mais claro pra mim: as coisas continuam não fazendo sentido, mas eu não me importo com isso.
Não faz muito sentido se você parar pra pensar e, no fim, o bom de estar bêbado é isso: eu não penso. Eu flutuo dentro de mim mesmo, eu me contento em ser e estar aqui agora sem me culpar pelas coisas que poderiam ter sido, sem me preocupar com as pessoas que eu gostava e que simplesmente foram embora e toda aquela merda.
O álcool me faz bem, porque eu deixo de me preocupar, deixo de pensar, deixo de sentir. Fico flutuando num vazio, num cinza morno, fico deslizando por entre materialidades, risos, fumaças, casais felizes. A voz de Deus se cala e consigo ficar sozinho comigo mesmo. Consigo simplesmente existir.
Há esperança porque ainda consigo ficar bêbado.


E, de quebra, consigo digitar e redigir textos com mais velocidade e menos erros. Eu amo o álcool.

Nenhum comentário: