terça-feira, março 27, 2007

O Festival de Inverno de Antonina

Todo ano tem Festival de Inverno em Antonina. Se você quer arranjar namorada ou namorado, vá lá. No mínimo, consegue-se uns bons amassos.

Além das “oficinas e espetáculos”, o Festival transforma a cidade e faz parecer que estamos em outro planeta, em outra época. Um planeta mais lúdico, uma época mais desencanada, mais alegre.

Todo ano tem Festival de Inverno e todo ano tem concurso para o cartaz do Festival de Inverno. Há um prêmio em dinheiro e o cartaz vencedor é aplicado em toda a identidade visual do evento. É uma interessante oportunidade para estudantes, profissionais, amadores, mercenários e aventureiros do design.

Esse ano eu decidi participar.

Esse será o 17º Festival de Inverno da UFPR. Dos 16 cartazes anteriores, o meu favorito foi o do 15º. Simples, vibrante, bem composto, sensacional. Olhando para todos os outros eu desenvolvi o seguinte raciocínio: o cartaz ideal deveria ostentar uma imagem-símbolo que conseguisse sintetizar a maioria dos significados relacionados ao festival (o inverno, as festas, a cultura, a arte, a alegria, a cidade de Antonina, etc, etc). Comecei assim, estabelecendo uma meta, uma idéia da onde gostaria de chegar e a que se prestaria minha criação. Tinha que comunicar, ser bacana, chamar atenção e ter uma boa integração da imagem com a tipografia (o texto).

O cartaz do 15º festival...

Um símbolo impactante, uma imagem bem executada, um layout dinâmico, uma tipografia bem integrada.

Muito bem. Muito bonito.

Essa foi a parte fácil. O discurso.

E agora?

Cara, que símbolo? Que imagem? O que eu faço?

Aqui eu preciso explicar que sou muito mais contador de histórias do que designer. Eu geralmente penso em imagens daquelas bem figurativas. Sou um cara barroco. Gosto de dramaticidade, ação, força, exagero. Drácula do Coppola, Romeu & Julieta do Baz Luhrmann. Caravaggio e Rembrandt. Eu sou fã desses caras. É o que eu curto, é o que eu faço. Daí preciso aprender a administrar essa minha natureza barroca com a funcionalidade e objetividade do projeto em questão. No fim, design é administrar as variáveis. (Eu acho...)

Enfim, eu queria fazer um cartaz legal. Algo que fosse a minha cara, mas que também pudesse representar o Festival.

O livrinho da Rita

Ao contrário do que o começo do texto possa ter demonstrado, eu nunca estive num Festival de Inverno. O mais perto que cheguei foi olhar os cartazes no mural. Pra ter uma idéia melhor do que significava o Festival, fui pesquisar. Além da internet, usei um livro que minha caríssima mentora da UFPR, a Rita, me deu de presente uns tempos atrás. Tinha até pensado em viajar pra Antonina, passar um fim de semana lá com bloco de desenho e câmera fotográfica, mas não consegui arranjar espaço na minha agenda. Acabei construindo uma Antonina dentro da minha cabeça, com fotos de sites e imagens do livro. E tinha uma série de fotos que eu tinha tirado lá uns 6 anos atrás que também foram muito úteis.

Ah, é... o símbolo.

O que me ocorreu foi a janela.

(Também pensei em uma Kombi, um monte de coqueiros e em um pingüim gigante).

Mas achei a janela mais... hmm... “simbólica”. Oras, a janela representa uma visão de um ambiente para outro, de dentro para fora ou vice-versa. Como uma porta, a janela simboliza um ponto de passagem entre ambientes, entre realidades... O Festival, como eu já disse, é um evento que transforma a cidade e pode transformar as pessoas também, se elas deixarem. Ele é uma janela. E é óbvio que, na arquitetura de Antonina, aquelas janelas são bem características. Enfim, a janela. Com certeza.

Certo. A janela. E como eu represento a janela? Fotografia? Pintura? Gravura? Colagem?

O pessoal do Circo de Luz nas ruas de Antonina

Daí... folheando o livrinho da Rita eu achei uma pusta foto legal. Aquela dança com tochas. Muito bacana. E de repente todo meu planejamento foi por água a baixo. Porque eu também vi imagens de crianças, provavelmente da própria cidade, com suas roupinhas surradas e aquele ar curioso e daí percebi que eu ia desenhar uma coisa com criança. Tinha que ter uma criança sorrindo. E também decidi que iria pintar na mão primeiro pra depois meter no computador... Decidi pela aquarela, simplesmente porque gostava. E, como sempre, a vontade de fazer uma imagem sufocou o bom senso do planejamento. Pelo menos, consegui mais ou menos manter na minha cabeça a idéia de que tinha que ter um espaço pras letras.

Um pedaço do caderno de idéias...

Daí a idéia era uma criança desenhando com fogo uma janela no ar. UAU! Adorei. Vamos ver se funciona.

Faz os esboços, desenha, pinta, escaneia.

Lápis


Aquarela


Essa vai ser a janela de fogo. Começa com
nanquim no papel e depois passa pelo photoshop.


Janelas (meio óbvio, não?)

Fundo de aquarela. As bordas bacanas são de tinta que vazou
por baixo da fita adesiva que fixava o papel na prancha.



Pintei umas texturas de aquarela pra utilizar como base e acabei aproveitando a borda delas, que tinha ficado com um aspecto legal de “não acabado”. Também usei uma foto que eu mesmo tinha batido de umas janelas lá de Antonina. Trabalhei essa foto pra reforçar a idéia de “janela”.

Dentro do computador, a brincadeira continua. A “janela” pintada com um pincel normal e tinta nanquim vira uma janela de fogo com o Photoshop. Experimento combinações, possibilidades que não tinha imaginado com relação ao fundo. Apesar de tudo, eu queria deixar o cartaz o mais simples possível, com a menor quantidade de elementos.


"Em chamas!"

Mexendo e mexendo, chegando lá...

Também tinha que brincar com a integração do texto, principalmente do título. Eu já sabia que ia utilizar uma fonte chamada “Tension”, que parecia aludir aos movimentos da dança com fogo. Uma das coisas que consegui foi manter a posição vertical, que eu achava importante pra equilibrar o cartaz e incorporar os elementos textuais. Ficaram a estrutura do cartaz e o quadro de aquarela acentuando uma verticalidade que contrasta com a horizontalidade do sentido de leitura dos blocos de texto.

E aqui está o bichinho...

Ta-daaaaa!

Ficou legal, né? Pois é, minha idéia aqui era dar mais ênfase para o processo de criação, sobre como as idéias vão aparecendo na cabeça. Acho bem bacana como essas coisas vão acontecendo. Foi bem divertido fazer esse cartaz. A propósito, ele não foi minha primeira tentativa no Festival de Inverno. Eu tinha tentado antes, três anos atrás, com o cartaz abaixo...

5 comentários:

rô disse...

não boto fé q o teu cartaz de 3 anos atrás perdeu praquela folha de bananeira...

Anika disse...

já ganhou! já ganhou! já ganhou!
haha
falando sério...ficou MTO BACANA! gosteii!!!

Liberland disse...

Rô, Anika, muito obrigado!
Beijo!
:D

TK disse...

liiiiiiiiiiiiiiiberrrrrrrrrrr!
qdo eu crescer quero ser q nem vc!!
show de bola teus cartazes!!!

beijão!

TK

Liberland disse...

Obrigado!!!
bjs!