sexta-feira, maio 18, 2007

More than meets the eye




Eles fazem o barulhinho! Eles fazem o barulhinho! Meu Deeeeeeuuuuuss!!!!!!!!!


Não. Espere. Isso começa antes. Bem antes.

Lá por 1986 o desenho animado dos Transformers foi ao ar, domingo de manhã, na telinha da Globo. Transformers apresentava a estrutura básica da série padrão de aventuras da época: um elenco fixo de caras bons que enfrentavam os caras maus.


Nalgum ponto longínquo do universo, o planeta Cybertron estava morrendo. Todas reservas de energia haviam sido consumidas pela guerra milenar de uma civilização inteira de máquinas conscientes. Os Autobots se opunham aos Decepticons, beligerantes e expansionistas, que pretendiam conquistar e explorar novos mundos. Uma nave de Autobots, a Arca, partiu em missão de busca de novas fontes de energia. A nave foi interceptada pelos Decepticons, que a invadiram. Desgovernada, a Arca caiu num impacto violentíssimo sobre um pequeno planeta (adivinhe qual...).

Por quatro milhões de anos, a nave e seus ocupantes permaneceram numa espécie de animação suspensa. Até que atividades de vida “mecânica” ao redor da nave foram detectadas, ela se reativou e começou a consertar os tripulantes, que haviam sofrido severos danos com o impacto. Investigando as “formas de vida” nativas, a nave reconstruiu os robôs com a capacidade de rearranjar os componentes de seus corpos, possuindo pelo menos duas formas diferentes: uma original e a outra similar aos “habitantes” do planeta. Isso lhes permitiria se adaptar e espreitar o planeta discretamente. As “formas de vida” reconhecidas pela nave durante seu rastreio pelo mundo eram aviões, carros, tanques, helicópteros, armas, aparelhos eletrododomésticos...

Infelizmente, a nave não soube distinguir entre Autobots e Decepticons, por isso reparou a todos. E a partir desse ponto, começa a série animada da TV. Os malvados Decepticons queriam conquistar nosso planeta, roubar nossas fontes de energia e voltar para as estrelas. Os Autobots também queriam voltar para casa, mas era completamente contra os seus princípios destruir ou subjugar outras formas de vida para atingir esse objetivo. E a questão de respeitar ou destruir outras civilizações era a razão da guerra de Autobots e Decepticons.

E daí, no desenho animado, os Autobots eram os bonzinhos que viravam carros e os Decepticons os malvados que viravam aviões. O bem contra o mal. Como Thundercats, He-man, Comandos em Ação, Silver Hawks, Caverna do Dragão, Galaxy Rangers e uma série de similares. Era um mundo simples e empolgante. Eu tinha 12 anos e fui fisgado. Depois surgiram os Dinobots (meus favoritos), os Insecticons, os Constructicons (seis que se combinavam num só robô gigante, o Devastador) e muitos outros. Soundwave era um Decepticon que se transformava em um gravador de fitas cassete. De dentro dele saiam fitas cassete que se transformavam em robozinhos humanóides, uma pantera negra e falcões (“Laserbeak, informe.”). Personagens que proliferavam feito praga com o objetivo óbvio de vender brinquedinhos. Mas e daí? Eu adorava.

Eu fui um fã de Transformers como nunca fui fã de nada na vida (a não ser, talvez, do Sandman). Cheguei a construir uns na marcenaria do meu pai. Quase completei o álbum de figurinhas (só faltou uma e tentei meeeesmo encontrá-la). Fiz uma história em quadrinhos de 80 páginas com eles (que ficou inacabada). Curti tanto os robôs que foi por causa deles que decidi fazer o curso técnico de eletrônica. Queria um dia construir robôs de verdade, criar as “inteligências artificiais”. Levei três anos de curso pra descobrir que eu não gostava das máquinas em si, mas sim das idéias que elas me davam. Ainda hoje consigo sentir aquela estranha empolgação sem sentido que só quem é fã de alguma coisa consegue entender.

Meu álbum quase completo


À primeira vista, poderia dizer que os Transformers fascinavam porque eram a mistura de tudo que enchia os olhos de um pré-adolescente: aventura, carros, combates mortais. Uau. Mas tinham outras coisas que me faziam pirar muito com eles.

Uma máquina poderia estar viva? Os Transformers eram robôs, mas estavam vivos, tinham personalidade demasiadamente humana, gritavam, se enfureciam, faziam piadas. Eu imaginava: se pudesse se construir um cérebro artificial, um computador que simulasse da melhor maneira possível o funcionamento de uma mente humana, essa máquina estaria viva? Um ser que tem autoconsciência, um ser que tem lembranças... Depois li um monte de textos em que se dizia que isso era impossível, que a máquina não conseguiria desenvolver instintos, autoconsciência, afetos e tal. Mas e se projetássemos algo que simulasse isso? Um sistema complexo, randômico que simulasse o funcionamento de uma mente. Imagine. Essa idéia da máquina viva é assombrosa, porque mexe com um dos nossos temas mais profundos, a tal alma humana. A ficção adora isso. Desde Frankenstein de Mary Shelley (escrito em 1817!), passando pela obra de Isac Asimov e seus robôs até os filmes (Blade Runner, 2001 e cia), todo mundo imaginou a máquina que poderia amar, odiar, estar viva. Sentir ou simular emoções, qual a diferença? E nas noites eu ficava imaginando como seria a mente da máquina... Do Androids Dream of Electric Sheep?

Outra coisa que eu achava bacana com os transformers era a sua dupla natureza. Eles eram carros que viravam robôs ou robôs que viravam carros? Era como se as máquinas, os objetos procurassem se tornar humanos, torcendo e esticando suas formas. Ou como se os humanos quisessem se tornar um só com suas máquinas...

A dualidade estava também na guerra. Não me era possível imaginar os Autobots sem os Decepticons ou vice-versa. Nunca ficou claro quem criou o primeiro transformer ou quando a guerra entre eles começou. A impressão que a série deixa é que os robôs estão em guerra desde que surgiram. Então eu ficava imaginando o que aconteceria se um dos lados ganhasse a guerra. Se você constrói toda a sua existência voltada a um objetivo (no caso destruir os seus inimigos), o que você faz quando consegue? O que acontece quando se cumpre o propósito de uma existência?

Então...

Decidiram que iam fazer um filme dos Transformers. Depois do desenho animado de 1986 apareceram diversos derivados (Beast Wars, Armada, entre outros). Tivemos animes, gibis, animação 3-D. E agora decidiram fazer o filme, com atores reais.

No começo eu acompanhava as notícias da produção com um interesse descompromissado. O filme traz alguns personagens da primeira série animada. A primeira visão do Megatron (o líder dos Decepticons) me fez pensar que o filme não ia me empolgar muito. Ele é totalmente diferente do desenho. O Bumblebee (um Autobot que sempre achei um pé no saco) no filme se transforma num ford Camaro e não no fusquinha amarelo. Até o Líder Optimus, (líder dos Autobots), se transforma num modelo de caminhão diferente. Isso sem contar que existe a grande possibilidade de uma pataquada ufanista norte-americana estilo Indendence Day.

Mas depois começaram a aparecer umas coisinhas interessantes aqui e ali e...


Pois é, hoje de manhã assisti o último trailer do filme Transformers.

Eu não vou conseguir reproduzir aqui o grau de empolgação que eu senti. O ponto máximo pra mim, foi ouvir o som, o barulhinho clássico da transformação do desenho animado quando o Optimus Prime se transforma. Geeeeente... vocês não tem noção!

E foi como se eu tivesse 12 anos de novo. Não porque o filme é fiel (ele não é) e os personagens são caracterizados exatamente como eram (eles não são), mas porque eu senti toda aquela empolgação de novo. Robôs gigantes, pesando toneladas, se digladiando no meio de uma grande cidade. UAAAAUUUU!!! (Sim, a felicidade está nas coisas simples!) O aço, as transformações, as cenas de confronto. Esqueça toda aquela minha conversa existencialista. Os Transformers do filme provavelmente vão trazer toda a simplicidade dos desenhos animados de volta: robôs bons contra robôs maus. Não guardo a menor esperança de uma história profunda, nem acho que isso seria adequado. Mas o lado positivo é que, pelo que pude ver até agora, dessa safra de filmes de seres fantásticos e proezas extraordinárias, Transformers é o primeiro que vai levar as potencialidades de seus personagens título às últimas conseqüências e isso significa destruição desmedida e ação desenfreada. Eeeeeba!

Pode ser que eu me arrependa de toda essa expectativa quando assistir o filme. Pode ser que eu me decepcione como aconteceu com o Homem-Aranha 3. Pode ser...





...mas eu duvido...

Heehehe!

Nenhum comentário: