terça-feira, julho 17, 2007

Deus

Deus é desespero.

Uma palavra pronunciada da boca desdentada no cheiro da cachaça no lamento grogue patético perdido chorado em muletas e pernas quebradas roupas imundas e lágrimas e palavras mal ditas no discurso sem amanhã.

Deus é histeria.

Uma palavra martelada num andar nervoso numa marcha histriônica que vai e vem vai e vem vai e vem com raiva berrando martelando a palavra agitando o livro como um punho cerrado contra o céu terno vagabundo olhar alucinado voz esfiapada que irrita que cansa e não diz nada.

Deus é canção.

Uma palavra sorrida embalada lá em cima bem acima do peti pave bem acima do movimento mastodôntico dos ônibus dos paralelepídos dos vômitos das imundícies do ranho do choro das crianças dos olhares perdidos dos olhares cansados bem acima das expectativas.

Deus é silêncio.

Da madrugada.

Do corpo inerte.

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