domingo, julho 15, 2007

TRANSFORMERS



Sabe, é legal ter paixões. A questão não é pelo que você está apaixonado, mas estar apaixonado.
Sabe como? Por exemplo, curtir enlouquecidamente uma banda ou time de futebol. Estar lá no show do U-2 ou estar na torcida da Grande Final... sabe do que eu estou falando? É o tipo de coisa que não dá pra racionalizar... paixão sabe?

Tem aqueles caras que se apaixonam por uma ficção. Tipo os fãs do Senhor dos Anéis, os fãs do Harry Potter. Imagino como foi pra eles assistir as adaptações para o cinema. O grande barato é a sensação de ver ali, na grande tela, feito realidade, os personagens que antes só existiam no papel e em nossas imaginações. É um grande barato, cara. Então, quando eu era guri, eu era fanático pelos Transformers. Líder Optimus, Megatron e cia. Eu devia ter uns onze, doze anos e aqueles robôs do desenho animado faziam parte da minha realidade, invadiam meu imaginário. Eu sonhava aventuras pra eles. Porque quando se trata de ficção, a paixão é assim: você se apodera dos personagens. Eles são SEUS personagens e de mais ninguém...

Com os anos vieram outras séries de Transformers, variações que não fizeram a minha cabeça. Pra mim, aqueles eram os únicos e verdadeiros Transformers. As novas séries podiam ter todos os seus méritos, mas não chegavam perto da aura dos originais. Pelo menos pra mim.

E daí veio esse tal filme. Eu estava na pilha de assistir. Era como se eu tivesse voltado vinte anos no passado e toda a tietagem estava de volta. Evitava de entrar na internet pra não saber dos tais "spoilers", os comentários de quem já assistiu e que entregavam surpresas do filme. Esperava pelo dia 20 num tipo de contagem regressiva. Ansiedade total...

Sábado tinham marcado um jantar. Uns amigos que eu não via há muito tempo, a velha turminha do Cefet. Eu ia no jantar. Estava tudo certo.

Hehehehe...
...e mais uma vez, o inesperado. Adoro quando isso acontece...

Pouco antes do jantar, um colega me liga e me convida pra ir pra pré-estréia do filme. Hein?!! Como assim? Não era só no dia 20? Não. Pré-estréia. Sábado. 21:30. Ah, e agora? Pensei na turma, pensei no tempo eu não os via, lembrei que eu tinha garantido minha presença... Eu tinha que ir, pôxa! Eu tinha que ir à pré-estréia do filme! Paixão, lembra? Paixão. E liguei pro pessoal e avisei que por motivo de força maior eu não iria ao jantar. Lógico que não expliquei o motivo. Pessoas normais não entendem essas coisas.

Cheguei ao cinema e peguei os ingressos. Tinha uma hora e meia pra estréia e fui com meus camaradas tomar um chopp. Pra minha surpresa, os manos também tinham curtido o desenho animado. Um deles até me lembrou uma frase que o Optimus tinha dito uma vez: Megatron, by the end of this day, one shall stand, one shall fall! "Cara, isso é que era frase legal!" o camarada me dizia. Ah, curtição. Bebida e de repente a gente estava lembrando das músicas da trilha sonora dos Thundercats. Hohohoh! Momento nerd total!

Megatron, by the end of this day, one shall stand, one shall fall!
(Uau! Maneiro!)


E chegou a hora do filme... Cara, que coisa estranha. Que sensação bacana... sei lá... O filme começou e eu curti um monte...

Era muito grande a minha expectativa. Honestamente falando, não fiquei completamente satisfeito com o filme. Acho que fiquei com um gostinho de "quero mais"...

Sim, o filme realmente tem pontos positivos muito bons. Os robôs ficaram ótimos. Eles não guardam muitas semelhanças com os robôs do desenho animado, mas as personalidades humanizadas estão lá. Muito bacana ver os robozões agindo como humanos, falando e se comportando como se estivessem vivos de verdade. Uma das melhores qualidades do filme é o humor. Não esperava tantas piadas e não esperava que elas fossem funcionar tão bem. O filme não se leva a sério, é leve e muito agitado. Parece muito com aqueles filmes dos anos 80, tipo De Volta para o Futuro e Indiana Jones. Lógico que a temática é completamente diferente, mas sabe o espírito agitado, descompromissado? Muito bacana. Acho que essa parte se deve ao Steven Spielberg, que produziu os Transformers. E as cenas de ação com os robozões são simplesmente bestiais! Sensacionais! Coisa de louco. Tem muita referência aos desenhos animados e quadrinhos... cenários, falas, situações... Detalhezinhos bacanas pra ficar comentando com os colegas na mesa do bar...

Mas há alguns poréns. As partes negativas ficam com problemas de edição. Há personagens que desaparecem sem maiores explicações. E os personagens humanos (alguns completamente desnecessários) ocupam muito espaço na trama. Mesmo nas seqüências de batalha, tem participação demais do elenco humano. O Optimus fala aquela frase bacana (Megatron, by the end of this day, one shall stand, one shall fall! ) e nessa hora eles ficam mostrando um guri correndo pelos escombros da cidade... sei lá, deviam dar mais ênfase aos robôs. As cenas de luta parecem curtas demais também (mas aqui eu falo como fã, hehehe). E, é claro, tem o senhor Michael Bay, diretor do filme, que abusa dos clichês cinematográficos, mas nada que comprometa muito o resultado final.

Como todos os outros filmes pipocas desse ano, com Piratas, Bruxos, Ogros e Super-Heróis, o filme dos Robôs Gigantes é pura diversão descompromissada, mas com algo de novo. Há um novo elemento fantástico, que brinca com o mundano, que faz do carro parado na esquina um possível soldado de uma guerra espacial. Super-divertido.

20 anos de espera e posso dizer que estou feliz.
;-)


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