quinta-feira, agosto 02, 2007

De(ath)sign: Baseado em Fatos Estúpidos

Os quadrinhos apresentados neste post são de autoria do Marcos. Veja mais em Deathsign. Muito engraçado, ainda mais se você faz parte da turma do "fé no dezáiner"...


O que você vai ser quando crescer?

Quando perguntam isso, o que eles querem realmente saber é “você vai viver do quê?”. É uma perguntinha inocente feita pras crianças, mais a tom de brincadeira. Só que essa pergunta meio que vai inculcando a idéia de que você é aquilo que você faz, o que é bem discutível. Existem pessoas que sabem separar direitinho o trabalho da vida. Elas sabem qual o tempo que vendem para o mercado e qual o tempo que têm para si mesmas. Admiro essas pessoas, mas não sou uma delas.

Eu acho que o trabalho é uma extensão da vida. Não consigo aceitar a idéia de fazer algo só pelo dinheiro, a menos que seja MUITO dinheiro. Ainda assim, a idéia de passar um terço ou mais do dia empenhado em uma atividade só pelo dinheiro do mês me parece meio com um seqüestro, uma vida em cativeiro. Sei lá. Pra mim tem que rolar um comprometimento maior com o trabalho que o mero salário.

Uma vez eu abri um estúdio com uns colegas. Recém tinha me formado na faculdade de desenho industrial, o tal do design gráfico. Sonhava fazer ilustrações, viver do mercado editorial e publicitário criando imagens. Admirava os carinhas “criativos”, a galera bacana que tinha seu automóvel, saía na balada e durante o dia fazia fotos, planejava imagens, campanhas de comunicação, conceitos visuais e tal... heheh. Era assim que eu sonhava minha vida como profissional do design. Parando pra pensar nisso hoje, é muito engraçado...

Outro dia uma amiga minha me passou um link desse site, o Deathsign. Meio que um blog em quadrinhos, ele apresenta histórias que misturam fantasia e um bocado de sólida realidade do cotidiano de um estúdio de design. Ler as aventuras de Marcos e seus colegas foi lembrar EXATAMENTE o que eu sentia no dia a dia do estúdio. Aliás, não só eu como provavelmente 99,9% de todos os designers viveram uma dessas situações pelo menos uma vez na carreira. Diziam até que o normal da profissão era assim mesmo: o feriado que não existia, o horário de saída que não existia, os preços de cada trabalho, que, na minha opinião, não compensavam o desgaste humano...


Enfim, meus sócios eram fantásticos, bons amigos, gente finíssima. Fiquei dois anos no estúdio. Foi o tempo que levei pra descobrir que aquela não era a minha praia. Na verdade, foi o tempo que levei pra aceitar a desilusão. Não tinha carro e balada e satisfação estética com o trabalho. Mas a realidade oferecia outras coisas. A pressão do mercado, por exemplo. Os prazos, os clientes, os valores comerciais. Na verdade, tudo parecia ser uma linha de montagem, uma coisa impessoal, crua, visceral, selvagem e irracional. Acho que pra coisa funcionar eu devia ter me desligado, deixar as coisas rolarem... mas não consegui. Acabei abandonando o barco.

Antigamente eu ficava pensando se não tinha sido fraqueza minha. Mas hoje eu acho que era mais uma questão pessoal mesmo. Afinal, todas profissões têm as suas pedreiras: medicina, direito, arquitetura, veterinária... Tenho muitos amigos que se deram muito bem na área de design, com tudo de bom e mais um pouco. Claro que as coisas não foram fáceis pra eles. Provavelmente enfrentaram os mesmos problemas que eu. Mas eles souberam contornar. Acho que eles, de certa forma, gostavam da pressão, da loucura do dia a dia. Olhando pra essas tirinhas do Deathsign, eu percebo que deve ter algo que essas pessoas adoram nessa área de trabalho. Esse “algo” que deve mantê-las na área. Uma paixão incompreensível, uma satisfação pessoal extraordinária que compense todas as mesquinharias.

Só não consigo imaginar o quê.



(Gente, eu gosto do design, tá? Só não curto o mercado...)

Um comentário:

Gely disse...

Hahahaha!!!
gostei das letras miúdas...