domingo, dezembro 02, 2007

...e hoje foi domingo.


Ontem teve sessão de cinema lá no Paralelo.

O Paralelo, pra quem não sabe, é um lugar legal onde as pessoas se reúnem pra fazer, pensar e discutir esse lance das imagens. Daí eles estão exibindo uma série de filmes do diretor espanhol Julio Medem. Ontem foi Os Amantes do Círculo Polar.

Segundo a resenha da Nicole:

Otto e Anna conheceram-se quando eram crianças, por acaso,porque é no acaso que as pessoas se relacionam.Tudo começa em 1980, quando têm oito anos saem do colégio a correr por diferentes motivos. Desde essa tarde começa a desenhar-se um círculo que só se completa dezessete nos mais tarde, quando ambos têm vinte e cinco anos.

O filme é maravilhoso. O tempo todo fala-se de ciclos. Nos diálogos e monólogos, nas imagens. É um filme sobre amor.

Num dado momento, o pai fala para o menino: “Às vezes o amor acaba. É como um carro que fica sem gasolina. Então ele pára”.

Ciclos. Tudo começa, acaba, recomeça. Primavera, verão, outono, inverno. Todo relacionamento acaba, mais cedo ou mais tarde. Mas há duas possibilidades. Na primeira o amor acaba que nem a gasolina do carro. Alguém precisa aceitar que não é mais amado. A relação esfria. A relação morre.

A segunda possibilidade é a morte. Como Romeu e Julieta, como Meg Ryan em Cidade dos Anjos, como as saudades que o velhinho de Os Amantes do Círculo Polar sente da falecida esposa. O maravilhoso com a morte é que a relação vive para sempre. Torna-se “um amor pra vida toda” e além dela. Impedido de se consumar, o amor sacraliza-se. O pessoal do cinema adora essa idéia e parece que o público também.

Os Amantes do Círculo Polar é bem melhor e apresenta bem mais coisas interessantes do que expus aqui. Mas essa idéia dos relacionamentos me fascina. Como começam e como terminam no mais completo acaso. Como parecem enriquecer de significado a vida dos amantes.

E hoje foi domingo.

Não fiquei pensando tanto no filme, mas sim no cheiro do Paralelo. O Paralelo fica numa sala nova, cheirando a tinta ou cola ou sei lá o quê. Estive no Paralelo umas três vezes, mas é esse cheiro que sempre me chama a atenção. Cheiro de material de construção, de habitação recém-construída. Mas também é cheiro de lugar novo, de expectativas, de novos começos, de esperanças. É o mesmo cheiro que tinha meu apartamento, nos primeiros dias que morei lá.

Ciclos.

Chegando fim de ano e pra mim é hora de recomeçar. Mais uma vez. Tudo. Abrir as portas para o acaso, para o novo. A Marilda perguntou outro dia como eu estava e, sei lá por que, respondi:

“Sabe quando um trapezista salta, aquele momento que ele fica suspenso no ar, acreditando que vai ter uma barra onde se agarrar no instante seguinte, mas sem ter certeza nenhuma disso? É assim que estou.”

Ciclos.

Cheiro de começos novos, expectativa de um acaso favorável para criar um significado maior na minha vida, planos não muito detalhados com muito espaço para o improviso.

We're on a road to nowhere e aquela história toda.



Passei a tarde de hoje jogado no sofá, lendo, ruminando a vida. Pensei em sair, ir assistir no Cine Luz A Vida Secreta das Palavras, mas, pôxa, um domingo lindo desses e sair pra ficar sentado em uma sala escura?

Fiquei no sofá mesmo, lendo, espreguiçando, dormindo. Até parece coisa de velho em asilo. Mas foi um bom domingo.

É... um bom domingo...

E desejo a todos uma boa segunda.

Especialmente aos corintianos.

:-)

2 comentários:

Karina disse...

Ciclos...
Você já meu viu passar por alguns. E volta e meia nós nos encontramos de novo, não é mesmo?

Beijo amigo!

Sabrina disse...

Liber,
já usei a frase no meu plano de escrita (algo como uma sinopse), mas ainda vai demorar pra sair disso e tomar corpo. Estou numa correria danada.
Muito obrigada!
Beijo.