sábado, fevereiro 09, 2008

Cloverfield


Clover: trevo, trifólio.
Field: campo.

Daí, cloverfield = Campo de trevos.

Feche os olhos e imagine um campo de trevos. O verde, o azul do céu. Imaginou? Agora esqueça tudo, que não tem nada a ver.

Cloverfield é o nome de um filme de monstro, mas defini-lo assim também não faz juz ao que ele realmente é.

Primeiro, vamos deixar bem claro que não é o melhor filme do ano e que muita gente não vai gostar.

Sempre que posso leio a crítica da Isabela Boscov, da Veja. Rarissimamente concordo com ela, mas sempre leio. Daí, quando tem algum filme que eu tenho interesse de ver, eu vou lá e leio a resenha da moça. Se ela falar mal, fico mais interessado ainda. Ela sempre mistura as próprias preferências pessoais e inclinações ideológicas nas análises que faz (mas e daí? Eu também.) e às vezes, como em Cloverfield, acaba falando mais sobre a trama do que deveria e estragando boas surpresas... mas eu gosto dela. Se você souber ler Isabela Boscov, ela é uma excelente crítica de cinema.

Sobre Cloverfield, ela teceu uma série de críticas elegantes para concluir que Cloverfield tenta ser uma mistura de Bruxa de Blair e Godzilla, mas não consegue ter o brilho desses filmes. Na opinião dela, há uma série de problemas que tiram o mérito do filme.

Uma das coisas que mais incomodou minha crítica favorita é a tal câmera na mão.

Filmagens em primeira pessoa parecem causar grande desconforto em muita gente. Deve ser algo como aquelas pessoas que não gostam de "sentar de costas" no ônibus, sei lá.

Mas é justamente a filmagem em primeira pessoa que dá o plus de Cloverfield.

Sim, eu adorei o filme. Ele tem furos, tem problemas, a piazada do boné que senta no fundo da sala pra fazer zona detestou, mas eu gostei!

Pra começar, ele não é exatamente um filme de monstro. É meio que uma história de amor. Tem um fulano e uma beltrana que vivem dessas situações absurdas e completamente sem sentido que acontecem na vida real: são ótimos amigos mas não conseguem assumir a própria relação. Daí o moço consegue um bom emprego e vai viajar e na festa de despedida a donzela aparece com um outro cara. Nosso protagonista entra em parafuso, acaba chamando a moça pra conversar em off... nossa, é bem desses "causos" de relacionamento. O casalzinho discute e a moça vai embora. Depois nosso herói está na escada de incêndio com seus amigos em volta dizendo que ele deveria ir atrás dela e tal, ele diz que não, a relação não tem futuro e tal... e BUM!

Um estrondo! Um tremor de terra! Um apagão! Uhu! O filme começa!

O legal que tudo é filmado por um dos personagens, que acaba se mostrando o protagonista. É com ele que a gente se identifica. O olhar dele, a câmera, são os nossos olhos dentro do filme. Ele mantém sua presença e personalidade com os comentários que faz. Esse cinegrafista amador é meio sem noção. A gente percebe isso quando olha para cara dele pela primeira vez no filme. E quando ele começa a filmar a festa e não pára mais, nem mesmo quando a cabeça da estátua da Liberdade vem quicando pela rua feito bola de futebol.


Gente, é sensacional. Comparado com a Bruxa de Blair e Godzilla, Cloverfield é com certeza muito mais espetacular que o primeiro e muito mais inteligente que o segundo (o que não quer dizer grande coisa, admito... anyway...)

A impressão que me deu é que eu estava no meio dos escombros e dos tiroteios. Parecia um desses jogos de primeira pessoa, mas eu não precisava me preocupar em apertar os botões.



Mas a grande loucura é a relação que os personagens têm com a câmera . Muita gente vai achar um grande absurdo que durante situações extremas os nossos camaradas continuem filmando. Eu vejo como algo que faz o mais completo sentido. Num mundo de YouTube, câmeras digitais supercompactas, celulares com câmera e tal, registrar acaba se tornando tão fácil que fica até natural. É o lance de fotografar e filmar festas, passeios com a namorada, bebedeiras com os amigos, e colocar no Orkut, por exemplo. Estamos criando uma nova relação com a tecnologia que ainda não compreendemos plenamente.

A câmera acaba se transformando em uma outra espécie de personagem do filme. Na fita vemos filmagens de outro dia, com o nosso casal protagonista. A câmera funciona como uma espécie de memória e a ânsia dos personagens em registrar a todos os eventos e a si mesmos parece a desesperada tentativa de se manter vivos, pelo menos na mídia.

A câmera é a identidade do próprio espectador, os nossos próprios olhos, somos nós dentro do filme, correndo, arfando, ouvindo os tiros e vendo o impossível.

Esse eu quero ver de novo.



Ah, ainda sobre o nome Cloverfield, que não tem a ver com o monstro, parece que o lance é o seguinte: o produtor do filme, J.J. Abrams (o cara que criou a série Lost) queria fazer o projeto secreto e pôs o título provisório de Cloverfield, que parece que é o nome da rua onde o camarada mora. Com a divulgação e tal, esse nome acabou ficando. Outros nomes possíveis eram 1-18-08, Cheese e Slusho. Se você olhar bem pro monstro, vai ver que Slusho é o nome perfeito pra ele. Mas pra efeitos comerciais a gente fica com Cloverfield e deixa quieto...

:-)

2 comentários:

Anônimo disse...

Salve "velho amigo",

Como já diziam os espanhóis: gosto é das umas regalias da vida.

Vai dizer que gostava de Jaspion ? Tosqueira pura !

[]´s
---
LVR

Anônimo disse...

Onde esta o sentido do filme???

Não entendi direito.
O que aconteceu com o mostro?
Todo mundo morreu?
Até a guria que conseguiu subir no helicoptero e ir embora?
Da onde surgiu tal mostro? Nunca ninguém tinha o visto antes? Surgiu do nada? Ele e os outro monstrinhos que mordiam as pessoas?

O filme não tem sentido!