domingo, março 09, 2008

Intervalos

Os dias se sucedem em um ritmo alucinante de tarefas, textos, prazos, trabalhos. Escrever, ler, projetar, apresentar.

Essa semana cheguei perto da tal exaustão. Dores no corpo todo, apagões, falhas de memória, mais um pouco e o colapso total.

O que nos move é essa ganância, essa ansiedade pela vida, por querer tomar tudo que ela tem pra oferecer: todas as possibilidades profissionais, pessoais, sociais. Fazer tudo aquilo que podemos, ser tudo aquilo que podemos. Ler todos os livros, estar em todas as festas, executar todos os projetos.

E, de repente, eu entrei numa bolha. Um intervalo. Sei lá.

Foi numa madrugada, após uma daquelas boas saídas com os amigos, cheias de risadas regadas a cerveja. Uma madrugada e eu estava sentado na cama, às quatro horas da manhã, quando fui tomado por uma estranha sensação de hiper-realidade . Quatro horas da manhã e as paredes, a luz amarelada da lâmpada, o negrume do céu além da janela, o silêncio... tudo de repente ganhou algo mais. Algo como uma cor, uma intensidade talvez imbuída de um tempo e existência completamente diferentes.

Foi como se eu tivesse ultrapassado algum tipo de barreira, algum limite inexprimível. Fora da narrativa cotidiana, fora do alcance da vida.

Silêncio e cor.

Um intervalo.

Um comentário:

Marcelo disse...

Pra mim deu só ressaca. Qual era a marca de cerveja que vc tomou?