sábado, maio 31, 2008

Mais do mesmo, só que diferente.




Finalmente assisti 30 Dias de Noite.

Quando o filme finalmente estreou nos cinemas de Curitiba, eu tentei assistir três vezes. Em duas, aconteceram eventos que me impediram de chegar no cinema. Na única tentativa em que consegui chegar à bilheteria, a exibição tinha sido cancelada por problemas no projetor.

30 Dias de Noite é uma história de vampiros. Originalmente era uma história em quadrinhos. Eu, como apreciador desse tipo de história, fiquei extremamente decepcionado com os quadrinhos. Devo ter sido o único, porque achei muitas resenhas falando bem da historinha dos senhores Steve Niles e Ben Templesmith. Particularmente, ainda acho os quadrinhos bem ruinzinhos, por uma série de motivos que, se você tiver tempo e nada mais pra fazer, podem ser lidos no post Expectativas.

Enfim, eu acreditava no potencial do argumento da história: uma cidade no extremo norte do planeta, onde a noite pode durar dias e que é atacada por vampiros. Achava que podia dar uma boa história.

E, de fato, enquanto os quadrinhos me decepcionaram bastante, o filme me agradou. O que é uma coisa bem engraçada, se considerarmos que a história basicamente é a mesma.

Por que gostei mais do filme do que dos quadrinhos? Por que eu acho que o filme ficou melhor que os quadrinhos que o originaram?

Pra começar, detalhes sutis de informação sobre a cidade de Barrow, onde a história se passa. Enquanto nos quadrinhos ela é esboçada caricaturalmente, você percebe no filme uma certa pesquisa que se reflete em detalhes como a migração de alguns moradores antes da longa noite começar, relações entre vizinhos e etc. São coisinhas sutis, mas que acabam dando um pouco mais de credibilidade à ficção.

Outra coisa é o relacionamento entre o casal protagonista. Enquanto nos gibis eles são apaixonados e felizes, no filme eles começam em vias da separação. Esse fato torna a relação entre os dois muito mais interessante. Há também a inclusão de outros personagens, como parentes, vizinhos e amigos que dão profundidade maior à trama.

Nos quadrinhos os vampiros se parecem e falam mais como aqueles vampiros interpretados por jogadores de RPG. São tão assustadores quanto um adolescente fanfarrão consegue ser. Já no filme, os personagens vampiros parecem carentes de alma, completamente desumanizados. Isso é realçado pelo fato de falarem um idioma estranho entre si e dos movimentos e linguagens corporais passado pelos atores.

Por fim, o final do filme é exatamente igual ao do quadrinho, que eu tinha odiado. Mas não exatamente igual. As motivações e contextos são diferentes e é incrível como isso faz a diferença. O que antes era uma apelação desmiolada e sem sentido torna-se aceitável.

Soma-se a tudo isso as questões de linguagem que diferem os dois meios em que a mesma história foi contada. A caracterização da cidade no filme, a cenografia, as cenas dos vampiros na neve, a atuação dos atores (o Josh Hartnet está ótimo, parece uma versão mais jovem do Tommy Lee Jones), tudo colabora para criar uma profundidade maior na narrativa. Não que a linguagem do cinema seja melhor que a dos quadrinhos, mas nesse caso o filme supera muito o original.

E a grande diferença, na minha opinião, está justamente no roteiro e na direção. O fato de incluir e omitir personagens, repensar as suas falas e motivações e saber utilizar os recursos de imagem que se tem para destacar e ampliar os significados que se deseja transmitir.

Um comentário:

Marcelo disse...

tem uma história que foi publicada num dos gibis da Warren: Kripta ou Vampirella (não sei), em que vampiros tomam conta das estações científicas na Antártica. E o inverno devia estar só começando...
Acho que era dos anos 70