domingo, agosto 17, 2008

Anotação pessoal

Um momento interessante para parar e meditar sobre a vida é quando se está caído no meio da rua olhando o próprio sangue na ponta dos dedos. Daí olha o ônibus que se estava correndo pra pegar e o vê indo embora e a vida continua sem você.

Foi um tombo estúpido, um pisar em falso. Fez um rasgo formidável em minha calça e em meu joelho. Olhando na hora, o tombo teria parecido mais com um mergulho. Como se tivesse arremessado o próprio corpo contra o asfalto. Com raiva.

Um turbilhão de pensamentos, dezenas de tarefas inócuas para fazer, uma irritação constante com não sei o quê dentro de mim. Uma sensação de pressão, de querer resolver todas as pendências do dia, de lutar constantemente contra o tempo e não vencer nenhuma vez.

Nenhuma vez.

O que estou fazendo da minha vida?

Olho pro meu sangue como se ele tivesse a resposta.

Um comentário:

José Aguiar disse...

Seus olhos ficam esverdeados, suas roupas cedem a tensão de músculos em expansão... Uma urro que vem das profundezas e...
Você acorda na América central. Pelado no meio da selva, pensando em como seus problemas não eram antes tão terríveis...