sábado, outubro 18, 2008

Mesmo? Mesmo.


O caso do Grampá é um dos mais singulares que já vi.

Desenhista brasileiro, da turma do Fábio Moon e Gabriel Bá. Esses caras foram os primeiros brasileiros a ganhar o Eisner. O Eisner Awards, se você não sabe, é uma das maiores premiações de quadrinhos do planeta. O equivalente ao Oscar. Daí os caras ganharam como melhor antologia independente, com a revista "5". Capinha aí embaixo.



Depois do prêmio, a "5" ficou bem difícil de achar. Tive ela em mãos e quase a comprei. Não comprei porque, sinceramente, não fiquei impressionado. Sim, eram desenhos bacanas, trabalho bem jóinha. Eram histórias sem palavras, em que os autores envolvidos faziam histórias sobre os outros autores. Tipo, eu te desenho numa história maneira e você me desenha em outra história maneira, sem palavras, daí a gente publica e concorre ao Eisner. Maneiro.

Então me desculpem, mas não fiquei empolgado o suficiente pra gastar os cinco reais que essa antologia custava.

Minto.

Teve uma coisa que quase me fez comprar a revista. Os desenhos do Grampá. Ele não fez nenhuma história, mas fez a capa e as ilustrações de abertura de cada história. Gente, dava gosto de olhar praquele desenho...

Daí começaram a falar desse Grampá na internet. Um zumzumzum. O Lourenço Mutarelli disse que o Grampá era o "filho" dele. Uau. Depois o Grampá apareceu envolvido numa adaptação para o cinema dos álbuns do Detetive Diomedes (obras do Lourenço). Vi o material que o cara tinha produzido e era tudo show.

Visitei o blog do ser e as ilustrações e trabalhos eram muito bacanas.

Daí começaram a falar que o Grampá ia lançar um álbum chamado Mesmo Delivery. Que ia ser sensacional e tal. Bom, desenhar bem o cara desenha. Ele é uma máquina de desenhar. Mas eu nunca tinha visto uma história do cara. Será que ele ia segurar as pontas? Até falava com meu chapa, o Zé: "E se depois de todo esse bafafá o álbum do cara for só desenho?"

Bom. Saiu o álbum.

E não era só desenho.

Mesmo Delivery é do caralho. Não só por causa do desenho, mas porque o Grampá consegue contar uma história bacana. Simples, despretenciosa e bacana.

Não dá pra falar nada do roteiro sem estragar a brincadeira. Basta dizer que é tudo muito rápido. E é incrível que ele consiga criar empatia pelos personagens com toda a velocidade em que as coisas acontecem. Acho que muito disso se deve ao talento do desenho e a despretensão de Grampá. Ele simplesmente conta sua história da melhor maneira possível, sem inventar firulas poéticas ou tramas intrincadas. Seu roteiro é extremamente honesto e é, sim, calcado principalmente no visual sensacional de suas páginas.

Sinceramente falando, é o álbum de estréia mais empolgante que já vi. Tem muito do mesmo que a gente vê por aí, mas o modo como Grampá trabalha esses clichês parece com o do Quentin Tarantino: é clichê e ainda assim é um espetáculo.

Ler Mesmo Delivery me fez lembrar de quando eu lia a antiga série Graphic Novel, que a Editora Abril publicava nos anos 90.

Leitura rápida, mas a gente guarda na estante com carinho.





(Não. O álbum não é preto e branco. É colorido, mas essas imagens aqui eu
achei na web e postei pra vocês terem uma idéia do desenho desse animal.)

Um comentário:

AFAnonimos disse...

Poxa, eu já estava me coçando de vontade de ir atrás disso desde que eu descobri o blog dele em outro blog... Agora você me ressucitou essa vontade, e desespero de desenhar.... Só falta grana pra acompanhar todas as vontades.