sexta-feira, janeiro 16, 2009

Bang Bang

Nesse final de ano fiquei morgando na casa dos meus pais. E com meu pai, que é muito parceiro, vi uma penca de filmes. Um deles foi O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. E se pudesse dizer só uma coisa a respeito desse filme, eu diria: assista.E se eu pudesse dizer mais coisas eu diria...

Primeiro, o que mais me fascinou no filme: as imagens. A cor, a iluminação, a composição das cenas. Tudo bonito demais, bonito de doer. Com base em elementos visuais da época foram utilizados diversos efeitos com resultados belíssimos. Por exemplo, a visualização das cenas através dos vidros irregulares das janelas da época ou um desfocamento e escurecimento nas bordas da imagem, típico das fotografias do período. Mas essas imagens espetaculares não são apenas frutos de elementos visuais. Curiosamente, o ritmo narrativo do filme influencia muito na percepção da imagem. E daí vamos para a forma de contar a história, aqueles aspectos e conceitos sutis que acabam influenciando totalmente no filme final.

O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (adorei o título longo) não é um filme do tipo blockbuster, daqueles com explosões e seqüências de ação frenéticas. Bem longe disso. O título entrega exatamente o que vai acontecer, então também não é um filme de grandes reviravoltas e final surpreendente. O ritmo é leeeeento. Quase parado. Não se trata apenas de uma sucessão de acontecimentos, mas da construção cuidadosa de uma experiência. Um longo passeio pelas ravinas diante de um pôr-do-sol interminável que pinta o céu com a cor do fim do mundo.

Dei uma olhada na internet procurando por críticas e comentários e acabei achando várias análises que abordavam uma perspectiva que tinha me passado totalmente despercebida. O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford fala, principalmente, sobre a construção dos mitos através da mídia. Jesse James é um precursor dos "artistas" de hoje, das figuras que estampam as páginas dos jornais e revistas de cinema, tv, música e fofocas. O tipo de gente que é alvo do assédio constante de paparazzi e fãs ardorosos. Ainda vivo, Jesse James foi protagonista de diversos livros nada realistas que construíram uma imagem mítica do criminoso e fascinaram diversas pessoas. Uma delas o Robert Ford do título. É essa relação entre o fã e o ídolo, entre a pessoa real e o mito construído pela mídia que permeia todo o filme.

Filmaço.

Um comentário:

mariana fonseca disse...

Hello teacher!!! hehe

Parece muito interessante este filme mesmo, acho que é uma boca dica para esse sábado maravilhoso, nublado e chuvoso de verão.

Um abraço