sexta-feira, abril 10, 2009

Adaptação


Eu nunca tinha ouvido falar de Maurice Sendak.

Ele é um ilustrador norte-americano que se tornou célebre (ao menos lá nas terras do Obama) por escrever e ilustrar Where The Wild Things Are. Publicado em 1963, o livro conta a história do garotinho Max. Arteiro e espoleta, um dia o menino extrapola na brincadeira e é mandado pra cama sem jantar. No silêncio de seu quarto ele imagina uma floresta habitada por monstros, Wild Things. Ao conseguir "olhar fundo nos olhos amarelos das criaturas sem piscar nem uma vez", Max torna-se seu rei. O Rei de toooodas as Coisas Selvagens. E depois de algumas peripécias, a brincadeira acaba e Max volta ao mundo real, onde o jantar o espera, ainda quentinho.

Apesar de ter apenas 10 frases (ou talvez justamente por isso, vai saber) Where The Wild Things Are é considerado um dos maiores clássicos da literatura infantil norte-americana.

Também é título de uma música do Metallica do álbum ReLoad.

Enfim, nunca tinha ouvido falar dele, mas seus monstrinhos me parecem estranhamente familiares. Talvez eu tenha visto alguma coisa na tv ou em um livro quando era criança. Ou talvez tenha estado lá. Where The Wild Things Are.




A primeira vez que soube do nome do Spike Jonze foi quando procurei na caixinha do filme Quero Ser John Malkovich pelo nome do diretor responsável por aquele delírio ensandecido. Até hoje não sei dizer se gosto de Quero Ser John Malkovich, sei que comprei o filme e ele me perturbou um pouco quando o assisti. Foi daí também que descobri também o trabalho do roteirista Charlie Kaufmann.

Kaufmann e Jonze também trabalharam juntos no sensacional Adaptação.

Deixa eu enfatizar: o SENSACIONAAAAAAAL Adaptação!!!!




Se você ainda não viu esse filme, pare tudo o que está fazendo AGORA e corra atrás. É um filmão sobre linguagem, criatividade, metalinguagem, crises de auto-confiança, bloqueios, roteiro de cinema e orquídeas.

Por causa desses dois filmes, eu criei uma puta admiração pelo trabalho dos dois. Mais tarde, o Charlie Kaufman roteirizou o mega-boga-maravilhoso Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, mas do Spike Jonze eu fiquei sem notícias por um bom tempo.

Então, vamos fechar o raciocínio: nunca tinha ouvido falar de Maurice Sendak, mas sou fanzão do trabalho do Jonze. E semana passada vi o trailer do novo filme do Jonze, que é a adaptação do livro do Sendak. Eu já sabia algum tempo desse novo projeto do Jonze e ficava imaginando o que o cara poderia fazer a partir de ilustrações de monstros fofinhos e de uma história de doze sentenças. A julgar pelo trailer, parece que o homem pode fazer bastante coisa.


O tal trailer foi a melhor coisa que vi na web semana passada. Talvez seja o novo arranjo da música Wake Up do Arcade Fire, talvez seja aquela lembrança bem íntima e escondida lá no fundo da cabeça do que era ser criança e correr com as Wild Things. A lembrança de algo bacana que a gente ainda carrega consigo.

E no trailer dá pra ver outros elementos, os pais, professores, colegas. Detalhezinhos singelos, uma tonalidade de cor, um olhar. O famoso choque entre o mundo real e o lugar mágico. A hora de amadurecer. O que a gente ganha quando cresce? O que a gente perde?

O que a gente perde...


16 de outubro nos cinemas.

Esse ano a programação está ótima...

3 comentários:

Anônimo disse...

nao eh uma memoria antiga, e acho q ainda passa na cultura: http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Sete_Monstrinhos
Nao gosto muito da versao animada, mas nunca li o livro...

bjao

Marcelo Andreo disse...

sensacional! ótimo release de filme, ótimo trailer!

Buhler disse...

cara!!! serio.. to super ansioso por esse filme, ele foi a minha infancia :D:D:D

serio, a música tb do arcade fire, é foda demais