segunda-feira, maio 25, 2009

Nerd

Dia do Orgulho Nerd.

Dia do Orgulho...

Quem teria orgulho de ser nerd? Quero dizer, quem teria orgulho em ser solitário, discriminado, feioso e não ter absolutamente nenhum traquejo social? Um derrotado. É essa a idéia clássica do nerd, não é?

Claro que não é assim que a mídia pinta as coisas hoje e tudo tem mudado muito. Mas eu sou de uma época em que ler gibi não era uma atividade vista com bons olhos. Julgavam que você tinha uma mentalidade de criança, na melhor das hipóteses. E saber reconhecer filmes e trilhas sonoras com apenas alguns trechos curtos não era exatamente uma qualidade das mais admiradas pelas meninas.

Fui um garotinho nerd e minha infância teve gosto de poeira e solidão.

Com pitadas de um néctar extasiante e indescritível.

Esse sabor maravilhoso me assalta ainda hoje. Na minha prateleira tem muitas revistas e livros originais, que hoje chamam a atenção do pessoal por causa das adaptações pra cinema e exposição na mídia.

Antes de Harry Potter havia Timothy Hunter e eu estava lá. Eu tenho os gibis formatinhos com as primeiras histórias do Monstro do Pântano. Antes do Neil Gaiman chamar a atenção como escritor em Paraty, eu já tinha um autógrafo do cara em um álbum maravilhoso. Em 1989 já tinha lido Watchmen.

Estou me gabando, sim. Seja indulgente comigo.

Nerd sempre foi um termo pejorativo. Acho que o nerd deu a grande volta por cima no primeiro filme do Homem-Aranha. Quer dizer, olhem pro Peter Parker do Tobey Maguire. Aquilo sim é um nerd! Bendita aranha radioativa!

Nerds jovens sofrem feito o diabo. Mas se chegarem à maturidade, eles se tornam o diabo. Se é que você me entende. Voltando pros filmes do Homem-Aranha, a gente encontra de cara um nerd velhão: o doutor Octopus interpretado pelo Alfred Molina. O cara esbanja tanto estilo que você praticamente esquece que ele é um nerd velhão e barrigudo. Nerds velhos sabem o que é estilo e não tem tempo pra perder.

Falo um monte de quadrinhos aqui, porque quadrinhos são a literatura nerd por excelência. E agora, sei lá por que, as coisas começam a mudar... As pessoas veem os quadrinhos com outros olhos. E veem nerds com outros olhos.

Ou há um novo tipo de nerd na cidade. Uma nova espécie.

Saem os livros e gibis e entra o computador.

O novo nerd está ligado no orkut, conhece css, escreve sobre mil assuntos em seu blog, segue os twitters mais interessantes. O novo nerd sabe fazer dinheiro e é descolado. O novo nerd se livrou do velho nome e se chama geek. Até faz sexo.

Até um tempo atrás eu achava que o computador era um refúgio do nerd, onde ele podia se esconder do mundo real. E de certa forma, é isso mesmo. Mas também é um mundo onde o tal nerd ou geek ou seja lá quem for pode entrar em contato com outras pessoas. Por mais que haja perfis fakes, ainda há pessoas por trás desse perfil. Você encontra pessoas na web de maneiras talvez muito mais fáceis e diretas do que poderia encontrar na vida real. E isso é verdade, por mais absurdo e paradoxal que pareça: o espaço virtual te aproxima dos outros.

10 anos depois de Matrix, 10 anos depois de Neo (o primeiro grande geek?), comemoramos hoje o dia do Orgulho Nerd. Orgulho em se debruçar diante do computador e navegar por twitters, orkuts, blogs e tudo mais, teclando e adicionando a favoritos e fazendo scraps e deixando marcas e gritando no escuro.

Mas não gritamos sozinhos.

Somos um Neo às avessas e o computador é a saída da Matrix do cotidiano... ou não?

E agora, um vídeo com a palavra definitiva a respeito do assunto:




(Na verdade a data de hoje celebra os 32 anos do lançamento do filme Guerra nas Estrelas Episódio 4 Uma Nova Esperança. E eu chamo de Guerra nas Estrelas sim. Chupe, Star Wars.)


2 comentários:

Rodrigo disse...

Oi Liber!

É, já temos um tempo por este planetinha. :-)

Em 1986 ou 1987 eu li o Hobbit e o Senhor dos Anéis pela primeira vez. Acho que até fiquei com ciúmes quando deu aquela explosão, na época dos filmes.

Li o Cavaleiro das Trevas no Lançamento, pela Abril.

Li o Sandman quando foi lançado pela editora Globo. Li Akira colorido, também pela Globo e fui ver o filme naquele saudoso cinema ao lado da C&A, do centro de Curitiba.

Vi pela primeira vez os X-Men na Superaventuras Marvel (14, se não me engano), em 1982 (por aí).

Vi Guerra nas Estrelas (Star Wars sucks) no lançamento, em Porto Alegre, junto com minha mãe e minha vó.

Vi Alien e Mad Max (os originais) no cinema, sozinho, quando eu tinha uns 11 anos.

Boa construção de caráter :-)

Abraços!

Rodrigo Stulzer
stulzer.nettranspirando.com

Liber disse...

Ah, eu ainda tenho esse Superaventuras Marvel! E o invejo quanto aos filmes vistos no cinema. Uma ótima cinegrafia essa sua.
Com certeza, uma ótima construção de caráter.

Obrigado pela visita e grande abraço!