domingo, maio 31, 2009

Novas ocorrências

Já fui assaltado umas duas vezes e passei por algumas situações difíceis, mas até hoje ninguém tinha apontado uma arma de fogo pra mim. Foi a minha primeira vez. Ainda bem que dono da arma era um policial, que provavelmente não tinha intenção de atirar, embora talvez tivesse a predisposição para isso.

Falando francamente, não foi uma experiência traumática. Foi um pouco assustadora, mas não foi traumática. Eu estava voltando pra casa por aquela rua escura e de repente ouvi "Mãos na cabeça!". Do meu lado a viatura encostando, o policial me apontando a arma.

"Mãos na cabeça!"

Numa situação dessas você não faz o sujeito repetir uma terceira vez. O colega dele desceu. "Afasta as pernas". Começou a me revistar. "Você tá vindo da Rui Barbosa?". Sim. "Ele tá limpo". Ok, valeu. Boa noite, policiais. E ele foram embora. Rápido assim.

Não me trataram mal, pensei que fossem me bater ou coisa assim, mas, fora a arma apontada pra mim, não me trataram mal. A verdade é que os arredores da minha casa não são lá muito convidativos. A viela onde os policiais me pararam é de arrepiar. E eu estava de moletom, capuz cobrindo a cabeça. Devia parecer suspeito...

Enfim, da história toda não ficou uma revolta ou o susto ou algum trauma, mas ficou essa coisa de me dar conta de que foi a primeira vez que apontaram uma arma pra mim. E daí me liguei de como eu estava me vestindo, como um moletom pode ser associado com roupa de marginal, como as ruas ao redor da minha casa são perigosas e coisas assim. Apontaram hoje uma arma pra mim e me surpreendo descobrindo o quão isso é banal. As ruas sombrias, o pessoal que te assalta, as ameaças dos desconhecidos, tudo isso parece tão corriqueiro...

Foi a primeira vez que me apontaram uma arma e o que me assombra é pensar o quanto isso pode ser normal hoje em dia.

4 comentários:

Ale disse...

Deveras...
A pior parte disso tudo é o quanto o fato de te apontarem uma arma se tornou "normal".
Mas imagino que não mude o fato da sensação de ter a arma apontada.
Me lembro de uma vez que eu estava voltando pra casa de onibus bem tarde e tive a impressão que um homem estava entrando armado no onibus (assaltos são comuns, apesar de eu nunca ter estado em um) e a simples idéia de haver uma arma de fogo no mesmo ambiente que a gente está é suficiente pra causar pânico. Fiquei apavorado.
Mas imagino que sua situação tenha sido pior.
Ah, sim, a dele não era uma arma, acho que era um guarda-chuva... mas de longe e a noite a gente nunca sabe com certeza...

Liber disse...

O pior foi o susto do momento. Pensei que fossem me assaltar, antes de reconhecer que era a polícia. Depois vi que eram policiais e vi a arma. É uma situação bem confusa, porque você fica imaginando se aquela arma disparar... well. Mas, parece estranho dizer isso, ainda bem que era um policial apontando o berro pra mim. Imagina se fosse um mano doidão, tremendo no gatilho... vish. Valeu, Ale. Ainda estou te devendo teu presente de aniversário...
grande abraço.

Anônimo disse...

Aí "velho amigo",

Frequentemente eles não são tão "amigáveis".

Infelizmente a distância entre os mocinhos e os bandidos, está cada vez mais tênue.

Fato é: a população é culpada ! O cara comum que compra a porra do DVD pirata, que usa Windows pirata, que quer dar um jeitinho levando uma "vantagenzinha".

Se ninguém comprasse a porra da erva, do pó, seja-lá-que-merda-for; ninguém vendia e pronto.

Se ninguém comprasse relógio, toca-fitas, CD, notebook roubado, ninguém vendia.

E não vou entrar no mérito da nossa democracia positivista, em que qualquer "otoridade" é um semi-deus. (Auguste Comte, maldito seja!).

Cuidado aí, véio.
T+
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LVR

Liber disse...

LVR (?)
Você diz que os policiais frequentemente não são tão amigaveis por experiência própria?
Meu depoimento é sobre uma abordagem violenta, afinal, apontaram uma arma pra mim e isso já constitui um ato de violência. Entretanto, quando o policial desceu do carro pra fazer a vistoria, eu esperava que ele fosse me agredir, o que não aconteceu. Após verificar que eu não estava armado, eles simplesmente foram embora.
Acabei trocando histórias com outros amigos e nenhum deles comentou de agressões gratuitas. Claro que devem existir casos de agressão gratuita e tal, mas não conheço ninguém que tenha passado por isso.
Quanto à pirataria, receptação e tráfico de drogas... uau, muita coisa pra falar em um post, né?
Fique frio, não seja tão radical. A população não é culpada, talvez só uma minoria. O melhor é discutir essas coisas e tentar chegar a um desenvolvimento de consciência e atitude correta (se é que isso existe).
Enfim, ando meio utópico e cheio de esperanças com as pessoas ultimamente.