domingo, julho 26, 2009

Got a job


Então, tenho esses amigos, a Rosaninha e o Fabricio.

Um tempo atrás ela aturou um emprego chato durante meses e meses. Esse lance de emprego chato é algo que nos persegue e, se a gente deixar, nos sufoca. A Rô tinha um desses empregos em que a criatividade é massacrada e em que pra ser chefe parece que é necessário ter algum distúrbio de personalidade, ser sádico, autista ou as três coisas juntas. Era um saco, mas ela perseverou, guardou cada centavinho e, um dia, numa bela manhã de sol, pediu a conta e foi pra Inglaterra estudar animação stop-motion. Lá,ela estudou com feras como o Peter Lord, do Estúdio Aardman. Viagens como essas eu queria fazer... Quem sabe um dia?

Mas e quando ela voltasse pro Brasil? Ia viver de animação? Bem... sim. O contato com o pessoal da Animaking se deu ainda quando ela estava lá na Europa. Ela voltou pra cá e uns meses depois já fazia parte da equipe. Atualmente está trabalhando naquele que é, ao que me consta, o primeiro longa-metragem em stop-motion produzido aqui no Brasil. (Atualização: na verdade, Minhocas é o primeiro longa metragem stop-motion da América Latina. Uau!)

Eis uma amostra do trabalho:


Se quiser, você pode visitar o blog da produção aqui.

O estúdio da Animaking fica em Florianópolis. Florianópolis, velho. Praia, sol. Às vezes converso com a Rosaninha e ela me conta as coisas. Claro que nem tudo é perfeito, há os momentos difíceis e durante o verão argentinos lotam a cidade. Mas, cara, olhe aquele vídeo. Veja no que a menina está trabalhando, do que ela está tomando parte. Ela acorda a cada manhã pra trabalhar em algo que acredita, em algo que realmente curte, algo com significado. Você faz ideia do que é isso?

A Rô e o Fabricio foram meus calouros na faculdade, onde a gente se conheceu. A faculdade é um período muito estranho nas nossas vidas. Escolhemos uma profissão e ficamos 4 ou 5 anos tendo contato com um universo bem diferente daquele que estávamos acostumados. É o começo da tal vida adulta. Faculdade é uma luta pra entrar, é uma luta pra sair, é uma porrada de trabalhos, noites em claro, é amizade, é panelinha na turma. É formatura, gelo-seco e baile. E, principalmente, faculdade é (ou deveria ser) um preparo pra suposta carreira que você vai seguir. De preferência uma carreira promissora que te conquiste um bom lugar no maldito mercado de trabalho. Daí esse outro vídeo que vi no blog do Hiro:





Ok, o Ken Robinson está falando de ensino fundamental. Vamos focar na faculdade. Ou melhor, na pessoa e na faculdade.

Antes de entrar na faculdade, você tem uns 16, 18 anos não é? E daí tem que escolher o que você vai fazer. Como você vai se encaixar no mercado de trabalho. Uma profissão séria, lucrativa. Médico, engenheiro, advogado. Ou algo assim. Supostamente é uma escolha pra vida, mas a gente sabe que não funciona assim. Depois da formatura podem acontecer (e provavelmente acontecem) mudanças de planos: uma viagem pelo mundo de mochila nas costas, um emprego formidável e completamente inesperado, um filho e uma nova família, uma morte súbita por gripe... ou uma vida chata e a incômoda sensação de que devíamos ter tentado alguma outra opção.

A Rô podia ser uma diagramadora numa editora de livros didáticos se ela não tivesse batido o pé na ideia do stop-motion. Olhe o que ela está fazendo hoje.

Não sei até que ponto a gente realmente tem controle sobre a vida. Mas sei que o mundo está cheio de gente que simplesmente vegeta no emprego e ignora tenazmente suas intuições e quaisquer oportunidades que apareçam. Fazem seu trabalho de má vontade e se tornam o que se costuma chamar de "mal-amadas", "mal-comidas" ou simplesmente "miseráveis".

Não seja assim. Planeje, arrisque, mude.

Enquanto você ainda pode.

4 comentários:

Rô disse...

Lisonjeadíssima, com lagriminha tentando fugir dos olhos!

O Fá que sempre diz que quando eu boto uma coisa na cabeça não adianta dizer que não... E eu adoro stop motion!

O Minhocas é sim o primeiro longa de stop motion, nao só do Brasil, como da América Latina.

E pensar q esse post é de alguem que fez o tg da Alice no País das Maravilhas, que foi pra mim uma megainspiração e referência na faculdade...

Valeu, Liber!

Liber disse...

Eu é que agradeço pela sua história, Rô. Fiquei muito feliz com ela e tinha que contar pra todo mundo.
Manda bala lá na animação e me avisa da estréia!
Bjão pra ti e abração pro Fabricio!

literaturaorganica disse...

O mais bacana é saber que essas pessoas citadas - e o autor do post - são gente de verdade.
Eu acompanhei parte da história da Rosaninha de perto. Acompanhei a trajetória do autor do post de perto. São minha inspiração.
A vida é feita de escolhas. De conquistas. De amigos.
Saudades doloridas de vocês.

Beijo pra Rô, pro Fà e pra você, Liber.

K.

Liber disse...

Oi, Karina.

Saudades de vc tb.

E a vida é feita de um dia atrás do outro, né? O bacana é a gente ficar inventando coisas pra gastar o tempo...

;-)

bjs