quinta-feira, julho 09, 2009

Veja que legal!

Colocamos uma menina de onze anos pra chorar a morte do pai ao vivo em cadeia mundial pro mundo todo!

Não é bacana? Não é por essas e outras que a raça humana é legal?

É legal ou não é gente?

E o auditório aplaude e responde:"Éééééééé!"


O vídeo mostrando a menina Paris chorando a morte de seu pai Michael também é o mais visto no youtube, assistido por mais de cinco milhões de internautas segundo o Yahoo Notícias. O que me intriga é se a dor dessa menina exerce sobre as pessoas prazer ou fascínio. Qual é a graça em olhar uma criança chorando a morte do pai? Por que isso virou um circo? Que tipo de demente pode achar que olhar a menina chorando é uma homenagem ao falecido?

Não vi o vídeo e não vou postar aqui.

Até onde me consta, essa menina é uma das poucas pessoas que demonstrou afeição real ao homem e não uma paixão insana construída por exposição na mídia. Ela não devia ser explorada desse jeito.


3 comentários:

Anônimo disse...

Pois é... Pão e circo, meu caro, pão e circo...

Mas Michael não era um simples mortal. Seu funeral não poderia ser "comum", o que não justifica a cena. Nada justifica. Ele estava em um "entre-lugar". Um lugar entre o reino dos mortais e o reino dos deuses, dos heróis, dos ídolos, daqueles seres que existem no nosso imaginário e que algumas pessoas assumem encarná-los. Acho que normalmente se paga um preço caro por isso...

Acho que nossa cultura é kitsch (num certo sentido da palavra, não me levem a mal estetas). E não vê nada de errado em colocar uma menina de onze anos pra chorar a morte do pai ao vivo... Gostamos de saber que os outros sofrem e não nos perguntamos sobre "o que" estamos fazendo.

Falando de cultura e de ética/estética, lembrei de um filme lindo que assisti bastante tempo atrás. Chama-se O caminho de volta para casa. Costumo sugerir aos meus amigos professores que assitam, pois ele é uma declaração de amor às pessoas que acreditam (ainda, ufa!) na educação. Mas é a história de um funeral (não de um show) com a estética (e a ética) que o Oriente trata essa questão.

Abraço!
ass: Gelse

Liber disse...

Hey, Gelse

Pois você sabe que esse funeral do Michael me fez pensar numa história em quadrinhos que li?

Eu sou um fã danado de Sandman e no final da série tem um funeral de proporções cósmicas. Morre uma entidade e daí vem todo um cortejo de seres extraordinários, de sonhadores, demônios, deuses lendas e sonhos. O cortejo fúnebre desliza pelo céu e todos parecem gigantes passando por entre as estrelas. Todo ser da Terra vê esse cortejo e depois pensa que o sonhou (e de fato sonhou...)

Enfim, esse lance todo do Michael me fez pensar nessa história. A diferença é que pra mim, Michael era um simples mortal sim. Talentoso e excêntrico, mas um simples mortal. O circo todo é a gente que monta.

Meus respeitos ao morto e sua família.

Vou procurar esse filme.

Vamos nos falando.

Valeu!

;-)

Anônimo disse...

Te juro que me lembrei tb do funeral de Lorde Morpheus... Embora tenha lido há bastante tempo atrás. Tem a ver, não tem? Concordo contigo, Michael era um simples mortal. Eu, particularmente, não ligava pras músicas dele. Pra mim ele não era um ídolo. E talvez por isso, qndo ele morreu não consegui ver (ou sentir) o que muitas pessoas sentiram. Mas toda a cena me fez lembrar de Sandman. E talvez por isso eu entenda que as pessoas misturem fantasia e realidade.

Qnto ao filme, assista que é legal. É uma estética diferente. Sem juízos de valor, não é melhor nem pior, entende? Mas é diferente e faz um contraponto. Me faz enxergar melhor nossa própria cultura.

Até!
ass: Gelse