domingo, dezembro 13, 2009

500 Dias


Provavelmente um dos melhores filmes do ano. Mas não daqueles filmes de que você fala com os outros no bar, como se fosse vitória de time de futebol. Esses 500 dias são só meus.

Diabos.

Diabos mesmo. Filme que me faz pensar no próprio Satanás, aquele tal de Lúcifer, queimando no inferno, pra sempre e sempre expulso do Paraíso, da Cidade Prateada, do Jardim do Éden, da luz de toda e qualquer coisa boa que existe ou pudesse existir. E queimar no inferno não significa necessariamente estar em algum lugar flamejante. O inferno pode ser algo que se carrega dentro do peito, queimando feito gelo, feito geada marvada que mata toda colheita, todo trabalho de dias e dias.

Ser um desgraçado, um condenado à danação, é uma arte. O segredo pra esse tipo de inferno é acreditar e sonhar com um Paraíso, saber que ele existe e é inacessível e jamais esquecê-lo. Essa é a receita para o inferno. Ou, em termos mais terrenos, amar alguém que não ama você.

Filme danado esse 500 Dias. Assisti acompanhado de moça bacana, cheirosa e linda, boa companheira de cama e de estórias e, ainda assim, nos créditos finais amarguei uma sensação doída de solidão, a mais absoluta e completa solidão. Dolorosa, triste e fria.

Amor. A gente pode acreditar que tudo vai terminar bem e que tudo faz sentido, que não existem coincidências e o que tiver de ser será e blábláblá. Mas também dá pra acreditar que ninguém é insubstituível, nem único, e que no fim das contas tudo é simplesmente carne e equações de custo-benefício. E se não der certo agora, tente outra vez.

Quem sabe?

500 Dias com Ela (500 Days of Summer) é um filme com uma trilha sonora do caralho (e indispensável). Tem alguns toques na narrativa que faz lembrar de Amélie Poulin, mas não dá muito espaço pra sonhadores. É estrelado pela fofa Zooey Deschanel e por Joseph Gordon-Levitt que interpreta um tal de Tom, personagem de ficção muito mais parecido comigo do que eu gostaria. Como o anunciado, "this is not a love story, this is a story about love".

O inferno é logo ali.


4 comentários:

simone disse...

Matou a pau, Liber. E a trilha sonora é realmente genial :)

Liber disse...

Daquelas trilhas sonoras que eu não paro de escutar. Já decorei a sequencia...

Obrigadão pelo comment, senhorita 11 de Setembro. Saudades doceis! Bjão!

Ale disse...

Queria ter visto esse, mas lendo sua "crítica" não sei se seria bom pra mim ver um filme assim. Ainda não.

liber disse...

500 dias acaba sendo a história de todo mundo. Num primeiro momento o filme foi meio pancada pra mim, mas depois acabou sendo terapêutico. A vida continua, né? E amanhã...

hasta, Ale.

Aquele abraço!