sábado, janeiro 30, 2010

As árvores

Não é fácil a vida das árvores na Terra do Fogo.

Em 1947, um experimento mal sucedido introduziu 25 casais de castores na ilha. Sem nenhum inimigo natural, o castor proliferou e virou praga. 60 anos depois, o castor fueguino desenvolveu-se muito bem. Enquanto um castor canadense pesa em média 15 quilos, o castor fueguino pesa 30 e já foi capturado um exemplar de 60 quilos. Um castor de 60 quilos! Meu, eu teria medo de um castor de 60 quilos! Você faz ideia do que é isso?

Os castores derrubam as árvores e fazem diques. A água represada acaba matando por apodrecimento as outras árvores e passeando pelos bosques você encontra frequentemente os "cemitérios".

Além dos castores, há fungos e parasitas que também matam as árvores. Lá no Fim do Mundo, as árvores tem tumores. Grandes e redondos tumores de madeira. Coisa estranha de ver.

E por fim há o vento, violento. Todo dia alguma árvore é derrubada por ele. Com tudo isso, admira que ainda existam árvores por lá.

Os bosques da Terra do Fogo são bem diferentes dos daqui. O frio faz toda a diferença, mas não é só pela sensação térmica.

Graças ao frio, as coisas mortas na Terra do Fogo apodrecem muito lentamente, quando apodrecem. No silêncio dos bosques, os verdes vivos são entremeados pelos cinzas das árvores mortas que permanecem em pé, ou as que caem e não se decompõem. A impressão da morte e da vida está em tudo ao redor.

Parado no meio de uma floresta na Terra do Fogo, ao som do vento e nada mais, olhando as raízes, as árvores mortas e retorcidas, o verde, o cinza do céu... eu lembrei do filme Anticristo, de Lars von Trier.

Belíssima e assustadora natureza.







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