quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Beware the moon, boys!


Definitivamente o melhor filme de lobisomem que eu já vi!


Assisti a essa nova versão, O Lobisomem, com o Benicio del Toro, Anthony Hopkins e Hugo Weaving. (E mais Emily Blunt, que constitui um elemento cenográfico belíssimo). Fui ver na primeiríssima sessão, tava contando os dias pra estréia desde que tinha visto o primeiro trailer.

Sabia que o filme tinha passado por um monte de problemas, refilmagens, reedições, mas pelo que eu tinha visto no trailer parecia promissor. De fato, tudo aquilo que se espera de um filme de verdade sobre lobisomens tá lá: o clima vitoriano, o bosque sombrio à luz do luar, a fúria sangrenta, o monstro incontrolável, o final inevitável. E ainda assim...

Porra, ainda assim é muito fraco! Não empolga!

Que diabo aconteceu?!!!

Sei lá. Os atores não pareciam muito animados com o filme. Del Toro e Hopkins já fizeram bem mais na tela. Mas eu acho que o estraga mesmo é essa maldita mania de explicar o "porquê". Foi isso que acabou com Highlander. Esses gringos simplesmente são incapazes de aceitar mistérios sem explicação e dá-lhe inventar origens extraterrestres pros imortais do Highlander. Ou inventar uma origem pra maldição do lobisomem.

E não é esse o maior problema. O problema é na narrativa. Um monte de coisas acontecendo, coisas que levam dias, semanas, e na tela elas passam naquele ritmo alucinado de vídeo clipe. São segundo que passam a ideia de um periodo de tempo maior, mas que quebram qualquer empatia com a narrativa. É isso. Não dá pra ter qualquer empatia com a história. Tudo parece distante, com uma estética fria, photoshopada. Comida enlatada.

A transformação do bicho é legalzinha e foi muito elogiada pelo pessoal. Aliás, o visual do monstrengo faz homenagem direta ao clássico The Wolf Man (de 1941) com Lon Chaney Jr no papel principal. Aliás de novo, o filme todo é uma homenagem/refilmagem ao The Wolf Man. Fique com o original. Ah, o responsável pelo design desse novo lobisomem é Rick Baker.


E Rick Baker é o link com Um Lobisomem Americano em Londres. Ele que desenvolveu a maquiagem e a transformação de homem em lobo. Uma transformação tão espetacular que lhe rendeu o Oscar em 1982, bem antes dos efeitos digitais e computação gráfica megaboga aparecerem.


Mas o mais bacana desse filme, dirigido por John Landis, é que ele tem carisma e empatia de sobra. Ao contrário de O Lobisomem (dirigido por Joe Johnston), Landis não tenta explicar o "porquê". Os protagonistas não tem uma história supercomplicada que se estende por semanas. Tudo se resolve rapidamente, tudo tem um sentido, tudo funciona. E a tal empatia funciona tão bem, que as pessoas não sabiam dizer se Um Lobisomem Americano em Londres era uma comédia aterrorizante ou um filme de terror muito engraçado. Você ria pra depois pular na cadeira.


E a transformação era precedida pela canção Bad Moon Rising do Creedance. Perfeito.

Enfim, sei lá se você faz parte ou não do seleto grupo de apreciadores de filmes de monstrengo, mas veja e compare os dois filmes.


Já não se fazem mais monstros como antigamente...

Um comentário:

Anônimo disse...

Confesse!

Vc quase citou o Michael Jackson, né ?

;-)

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LVR