sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Lá de cima tudo parece tão melhor...

Rian Bingham: Eu pensei que fazia parte da sua vida.

Alex Goran: E eu pensei que estávamos de acordo... que nossa relação estava perfeitamente clara. Você é uma fuga. Você é uma quebra nas nossas rotinas. Você é um parênteses.

Rian Bingham: Eu sou um parênteses?


A comédia romântica padrão envolve um casal simpático que após alguns desencontros e dificuldades termina com um beijo ao pôr-do-sol. Também pode apresentar um personagem rabugento que tem sua vida completamente transformada e redimida ao encontrar o verdadeiro amor. E é isso que a gente fica esperando isso de um filme com um nome desses. Amor sem escalas. Final com sorriso e mãozinhas dadas.

E, pensando bem, a gente também fica esperando algo assim pra nossa vida, não é? Bem lá no fundo, bem escondidinha, uma pequena e muito bem guardada esperança. Não é? Final cheirosinho com sorriso e mãozinhas dadas.

Assim, Amor sem escalas é uma grata surpresa.

Pense na sua vida. Você gosta do que faz? Gosta do seu trabalho? Gosta de onde vive? Gosta da rotina do seu dia a dia? Nosso amigo Rian Bingham responderia sim sem pensar. Ele mora em um quarto de hotel, mas passou lá só 22 dias no ano passado. Rian mora de verdade nos aeroportos, nos aviões, nos quartos de hotéis, nos lugares por onde as pessoas só estão de passagem.

Rian tem esse emprego estranho de tirar o emprego dos outros. Na hora da demissão, quando um patrão é covarde demais pra olhar nos olhos do empregado que o serviu durante anos, Rian entra na jogada. E como isso acontece em várias empresas, Rian viaja muito.

E Rian tem essa filosofia. Sua vida cabe numa mochila. Toda ela. Roupas, computador, amigos, família. E a mochila precisa ser leve, porque senão compromete o movimento, a mudança constante. E o que não se move, está morto.

Rian não acredita em casamento. Rian não quer ter filhos.

Daí aparecem as duas moças, Alex e Natalie. Nesse ponto, o filme poderia seguir o padrão açucarado prometido pelo título e trailer. Mas não. Da altura de 2500 pés, passando por cima das nuvens, vendo pela janela as terras e casas pequenininhas lá embaixo, Amor Sem Escalas permanece com os pés fincados no chão. Chão duro.

A verdade é que viajar acompanhado é muito, muito melhor que viajar sozinho.

Ainda assim, viajar sozinho é muito melhor que ficar em casa. Você ri, ri bastante, diverte-se, encontra algumas pessoas, faz amigos. Às vezes não volta sozinho pro quarto de hotel. Mas, às vezes, fica olhando pela janela à noite, seu reflexo no vidro, a escuridão lá fora. E você sabe que sua vida é boa e tudo mais, mas... mas.

E dá vontade de acreditar na promessa do final cheirosinho. Dá vontade de sair correndo na chuva, no meio da noite e bater na porta da moça e descobrir que somos pessoas melhores do que imaginávamos.

Ser uma pessoa melhor... Com o tempo a gente acaba descobrindo que isso não existe.


Um comentário:

Anônimo disse...

Heheheh...

Bom post, mas a tal da Alex é uma FDP!

T+
---
LVR