domingo, março 07, 2010

8 de Março

8 de março é o Dia Internacional da Mulher.

8 de março também é a data de aniversário da minha avó. Se ela estivesse viva estaria completando... não sei. Tenho que perguntar pra mãe. Engraçado como essas coisas vão escapando da gente. Datas, rostos, pessoas.

Eu me lembro do aniversário da vó porque era junto do tal dia internacional da mulher. Mais ou menos sei que minha avó veio de algum país do leste europeu, quando era bem pequena. Sei que ela mudou o nome de Wasily para Basílio quando chegou ao Brasil. Ouvi que ela era muito cuidadosa em esconder o passado por medo da Igreja e de um país em que comunistas não eram vistos com bons olhos. Um medo infundado, talvez. Ou não. Mas é tudo muito obscuro. O que sei com certeza é que minha avó veio lá de longe, cresceu numa fazenda no interior de Santa Catarina, tornou-se cabeleireira e costureira, deu aulas e conheceu meu avô.

Esse 8 de março é aniversário dela e eu sinto saudade.

8 de março passou a ser o Dia Internacional da Mulher a partir de 1975, por causa da ONU. A ideia original era lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo”. Wikipedia.

Lembrar...

E daí, nesse dia internacional da mulher, tem powerpoints lindos, textos “maravilhosos” sobre o “feminino”, matérias nos telejornais, propagandas na TV, flores e cartões. Mil homenagens para a mulher. A maioria caindo nos estereótipos e clichês que supostamente deveriam estar superados.

E afinal, quem é essa Mulher? A dona que pega o busão às cinco da matina pra ir limpar privada e fazer feijão pra moça descolada que é designer naquele escritório bacana? Ou vice-versa? A funcionária pública? A mãe do Juninho que desistiu de ser escritora porque não dava tempo de fazer tudo? A poetisa? A arquiteta? A empresária? Preciosa?

Eu sei lá quem ela é. Nunca consegui entendê-la. Já acordei ao lado dela, já sonhei com ela, já fui chutado por ela, já a odiei, já a amparei. Já encontrei tudo que podia sentir de bom nos braços dela e já me decepcionei com ela tanto quanto comigo mesmo.

Mas gosto dela, tenho medo dela, sinto falta dela.

Não consigo entendê-la e quem sou eu para homenageá-la? E nem sei se homenagem é algo adequado diante disso tudo. Temos milhares de canções e poemas de todas as vozes e cores e ainda assim não se dá conta do recado...

Enfim, 8 de março. Lembre-se das desigualdades, lembre-se das conquistas.

Lembre-se das mentiras do mundo em que vivemos.

E, no fim, se conseguir, pense um pouco nela.

Seja lá quem ela for.

4 comentários:

Buhler disse...

sabe liber, ser mulher deve ser algo terrivelmente belo xD

mas eu acho que aqui no Brasil, as experiencias que elas tem por causa da nossa cultura, só faz a cabeça delas ficaram malucas, por causa desses esteriotipos infinitos que jogam para elas, alias que obrigam elas a fazer =p

Como diz a minha noiva: "maldito brasil que me obriga a ficar 1 hora me arrumando, na Escocia, eu fazia como você, Alexandre, só pegava uam camisa uma calça colocava e ia pra fora."

liber disse...

É, a vida delas não é fácil.

Não que a nossa seja um passeio no parque...

abração, Buhler!

Anna Staschuk Ibaf disse...

Perfeito! Essa droga de "Dia Internacional da Mulher" não foi feito para se comemorar seja lá o que for... deveria servir para gerar reflexão, but...

P.S.: Tenho um tio que veio da Ucrânia e também mudou o nome de Wasily para Basílio quando chegou ao Brasil. :)

liber disse...

Oi, Anna!

Obrigado pela visita e comentário.

Família é uma coisa legal, ainda mais quando a gente começa a descobrir as histórias. De repente somos primos e não sabemos... ;-)

Abraço e apareça sempre.