domingo, março 21, 2010

I see a darkness

Começou lá na casa do Tex. O cara colocou um som, a gente tava jogando conversa fora e de repente eu me dei conta da música. Sabe quando de repente você percebe que tava tocando música e pára tudo? “Cara que som é esse? O que é isso?”

Johnny Cash.

Começou assim. O álbum era Johnny Cash – American IV: The Man Comes Around. A primeira faixa é justamente essa The Man Comes Around e ela abre com uma voz velha e surrada citando o Apocalipse. A sonoridade das cordas, a voz de Cash, a letra. Caralho.

Daí falamos do tal filme Johnny & June, que lá fora se chama Walk the Line. E no dia seguinte passei na Itiban e comprei a graphic novel Johnny Cash: uma biografia, de Reinhard Keist. No sábado peguei o filme na locadora. Peguei quatro álbuns do Johnny e cai de cabeça.

Estrelado por Joaquin Phoenix e a lindinha Reese Witherspoon, Johnny & June é uma daquelas histórias sobre “uma grande paixão”. O filme se propõe a mostrar a vida de Cash, mas o foco gira em torno da história do casal. Aparece ele criança ouvindo ela (também criança) cantando no rádio (que lindo...). O filme mostra um pouco da loucura da vida de Cash: as anfetaminas, a perda do irmão, a carreira, o histórico show na prisão de Foslom.

Aliás, o show dessa prisão deve ter sido uma coisa realmente espetacular. Foi a primeira vez que um cantor fez uma coisa do gênero e isso aconteceu porque muitos dos fãs de Cash eram presidiários. Pediram a ele por esse show e ele os atendeu. “Cash é o nosso guru. Ele sabe como é o inferno. Eu te digo, Johnny Cash sabe como é estar preso”. Essa frase é de Glen Sherley, prisioneiro em Foslom, e ela aparece na biografia feita por Kleist.


Tive a chance de conhecer pessoalmente o alemão Reinhard Kleist no FIQ, lá em Belo Horizonte, ano passado. O cara tem um talento extraordinário. E a história em quadrinhos que ele fez sobre Cash é sensacional. O desenho é maravilhoso, as interpretações gráficas das canções ficaram muito boas. Essa HQ é cativante. Por coincidência, ela foi lançada praticamente junto com o filme, mas saiba que Kleist a desenvolveu de maneira independente. Na graphic novel Johnny Cash: uma biografia o enfoque principal não é a “grande paixão” com June Carter, mas sim o lado “cru” da vida do cantor. Tanto assim que o título original é Cash: I see a darkness.

I see a darkness.

Vai tomar no cu.

Acho muito divertido comparar o filme e o quadrinho. O irmão mais velho de Cash não aparece no filme mas está lá na HQ, dando conselhos pro irmão. No filme, o pai é um monstro insensível que odeia o filho, no quadrinho é um pai como outro qualquer. Bem, caso não tenha ficado claro, gostei do filme, mas sem dúvida, recomendo de todo o coração: LEIA O LIVRO DO KLEIST!!!

Ah, sim eu tinha ouvido falar do tal Johnny Cash, mas ainda não conhecia a história e a obra do homem. Acho que foi legal descobrir ele agora. Acho bacana ouvir as canções, saber das histórias por trás. “Cash é o mais rock’n’roll de todos os cantores country”, eu li em algum lugar. E é verdade. O cara é visceral, é foda. Sabor de sangue e uísque. Vale a pena.

Se eu tivesse que escolher uma estrada para o Inferno, escolheria a de Johnny Cash.



***


Ah, eu estava na dúvida entre acrescentar ou não essa música, mas... bom. Um cover da Bridge over Troubled Water do Simon e Garfunkel com Johnny e June. Música pra madrugada. Só você, o som e a escuridão.

Amo muito tudo isso.

3 comentários:

Buhler disse...

sempre que escuto ring of fire, me lembro da cena do Silent hill da juke box tocando e os zumbis aparecendo :D

bãrns bãrns bãrns de ruing ofi fãire!

marília disse...

O cover do Cash pra I See a Darkness é cruel de tão bonito (aliás, qualquer coisa na voz do Johnny Cash é cruel de tão bonita) mas a original também é linda (apesar de esse video ser bem aauunnn) http://migre.me/r0l3

liber disse...

Primeira música que ouvi do Cash foi justamente Ring of Fire, justamente no Silent Hill...

Mas tô descobrindo a discografia do homem agora e pqp... A voz do cara torna as canções "cruelmente bonitas". E o mais legal é esse "cruelmente".

Valeu pelos comentários!

abraço!