segunda-feira, abril 19, 2010

Mary e Max



De repente o filme caiu no meu colo. Estranho eu não ter ouvido falar, ainda mais com atores como Philip Seymour Hoffman dublando os personagens principais.

Silvestre chegou dizendo que o filme tem uns toques de Amélie Poulin e de fato tem. Acho que se Amélie tivesse uma pegada melancólica, ela seria como Mary e Max. E a pegada melancólica é pesada.

Gente, é uma animação de massinha. De massinha mesmo. Em alguns quadros dá pra ver as digitais dos animadores nos rostos e corpos dos personagens. Aliás, uns personagens distorcidos, tortos, feios, por dentro e por fora. E maravilhosos.


Tem que ter muito culhão pra fazer um filme assim.

Não tem uma série de acontecimentos e reviravoltas, mas uma porrada de memórias e situações e emoções. A tal narração em off, amaldiçoada pelos mestres, espalha-se por todo o filme. Mesmo a fala dos personagens pelas cartas acaba se transformando em uma contação de história. Parece um livro, uma literatura de massinha.

Uma hora e meia de imagens maravilhosas e toscas. A Nova York de Max é cinza e a cidade australiana de Mary tem tons avermelhados de terra. E, assim do nada, esses dois viram amigos, graças a uma troca de correspondências. Nessas cartas eles falam sobre as coisinhas de suas vidas.

Depois que assisti o filme fui procurar na internet mais informações. Achei no Omelete uma crítica do filme e nos comentários, alguém disse que "quem se identifica com esses personagens, deveria fazer terapia logo".

Mas tem gente que não se identifica com esses personagens? Tem gente que nunca se sentiu sozinha, magoada, triste, "mal-acabada"?

Nas cartas, Max e Mary confiam um ao outro suas dúvidas e medos. Hoje, em perfis de orkut e facebook, pessoas escancaram suas vidas, ou melhor, uma propaganda de suas vidas, procurando parecer mais felizes e bem do que realmente são. Ou não? Ou o mundo está realmente cheio de pessoas desagradavelmente auto-confiantes, felizes e realizadas? Enfim...

Tem que ter muito culhão pra fazer um filme assim. Provavelmente o desenho mais depressivo que já vi. E ainda assim maravilhoso.





(Até o momento, Mary e Max só tinha estreado em salas de São Paulo, Rio, Salvador, Porto Alegre e Brasília. Mas existe uma coisa chamada torrent que facilita muito o acesso a produtos culturais fora do mainstream...)

2 comentários:

byronesa disse...

Olá! De repente assim teu blog "caiu no meu colo" enquanto procurava foto da capa do filme para colocar na minha lista de assisitidos do mês. Estou procurando muitas respostas após ver o filme...procuro tbm a ingenuidade e pureza vistas nas costas da historia. Me diga, o que voce acha...as ovelhas encolhem com a chuva?

liber disse...

Olá.

Hmm... se eu fosse arriscar um palpite, diria que sim. Ovelhas encolhem com a chuva. Se as nuvens são feitas de algodão, talvez elas tenham algo em comum com as ovelhas.
Quem sabe?

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