sábado, julho 03, 2010

Like a Rolling Stone

Vim pra ver a Raquel cantar.

Rachel

Rei-tchéu, eu grito. Tipo tchau, só que tchéu. E um rei na frente.Que nem os gringos falam. Que nem a gostosinha do Friends.

Reitchéu.

Vai lá, Reitchéu.

Ela canta lá na frente e eu bebo, bebo, bebo. A bebida é tipo medicinal. Mas não importa quanto eu beba, não importa o quanto eu encharque meu cérebro de álcool, eu continuo sendo eu mesmo. Essa dosagem não funciona mais, doutor.

E a canção de Reitchéu fica pra trás e de repente eu tô caminhando de volta pra casa e na minha cabeça Bob Dylan canta e eu canto/grasno/rosno junto HOW DOES IT FEEL? to be without a home, like a complete unknown, like a rolling stone

Mas eu tenho uma home e chego até ela, muitos tombos depois, as mãos esfoladas, a roupinha bonita suja e rasgada. Eu tenho uma home.

A bebida é tipo medicinal. Eu penso melhor. Mas sempre continuo sendo eu mesmo. Tudo está no seu lugar, tudo é exatamente do jeito que deveria ser.

Não é?

E pelas ruas vazias, pela madrugada, sob a luz amarelada dos postes, a voz de Dylan paira sozinha, perdida, inaudível, me procurando.

How does it feel?

How does it feel...

Os cães ladram e a caravana não pára.

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