domingo, agosto 08, 2010

Dia dos Pais

Algumas horas atrás eu estava com um texto pronto em minha cabeça. Eu iria escrever sobre meu pai. As ideias estavam muito claras. A intenção. A emoção.

Então fui visitar a família, o almoço de dia dos pais, vinho, comemoração, felicidade. E quando voltei pra escrever o texto não estava mais lá. Perdido como um sonho.

Eu não queria escrever sobre paternidade, ausências, desencontros, sacrifícios, mágoas e reconciliações. Eu queria escrever sobre o meu pai. Sobre essa pessoa específica. E agora, à minha cabeça só vem fragmentos.

Alguns filmes que assistimos juntos, algumas conversas, algumas raras viagens.

No fim, o que sobrou de mais palpável do texto de hoje foi um desenho rabiscado no livro de rascunhos. Meu pai embalando a netinha. Dentro de suas roupas largas e desajeitadas, ele canta, conversa, dança com a bebêzinha, ri.

Quando penso em felicidade, é essa a imagem que me vem à cabeça.

É essa a imagem que me faz acreditar que, apesar de tudo, as coisas são do jeito que deveriam ser.

E tudo está bem.


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