domingo, agosto 15, 2010

Toy Story

Pra mim, esse foi o melhor da série. Os outros são muito bons e tal, mas esse terceiro é uma pancada no coração.

Toy Story 3 gira em torno da ideia de despedida. Tivemos ótimos momentos juntos, mas agora é hora de ir em frente. O garoto cresceu, ele vai pra faculdade, a vida continua. Marcante pra mim, é a cena em que a mãe de Andy entra no quarto vazio do garoto. Muita coragem do pessoal da Pixar de levar essa ideia em frente. Muito bacana esse lance da amizade e lealdade que permeia toda a série. Puxa, hoje tudo parece tão rápido e descartável, pessoas inclusive. Tenho um alívio quando escuto aquela cançãozinha, Amigo Estou Aqui.

Lielson apostou comigo que eu ia me desmanchar em lágrimas no fim do filme, mas isso não aconteceu na hora. Eu segurei e não foi fácil. Mas confesso que saindo do cinema, na hora de comentar com o pessoal, vinha um nó na garganta, olho enchia de lágrima. Isso durou horas depois do filme acabar. Odeio despedidas. De coração, eu odeio despedidas.

******

Ah, daí lembrei da minha própria toy story.

Só fui realizar o sonho de criança de ter um Dinobot aos trinta anos. Foi quando tive dinheiro e a oportunidade apareceu de comprar o Grimlock. Mas já falei disso antes.

O que eu não contei foi a história dos meus Dinobots.

Eu era garoto, magrelo de óculos e viciado no desenho dos Transformers. Era 1986. Tinha 12 anos e parava pra assistir o desenho domingo de manhã na velha tv preto e branco. E o que mais me fascinava eram os Dinobots. Cara, robôs que viravam dinossauros! Era o máximo! O máximo!!!

(Tudo bem que reassisti os desenhos hoje e achei muito sem graça. Mas ainda curto os Dinobots...)

Aconteceu que eu quis ter os Dinobots, mas não conseguia achar em lugar nenhum. Talvez se eu fosse procurar em São Paulo, eu achasse um importado. Mas a ideia nem passou pela minha cabeça. Naqueles dias, pra mim, vir de ônibus pra Curitiba era um evento. São Paulo era um planeta distante e inalcançável. E eu nem imaginava que nos EUA os Dinobots eram o top de linha dos brinquedos dos Transformers.


O fato é que eu tinha 12 anos e queria meus brinquedos e pra minha cabeça era uma impossibilidade consegui-los.

A não ser que eu mesmo os fizesse.

O que eu tinha era o álbum de figurinhas, uma revistinha em quadrinhos, um pai marceneiro e uma vontade doida de ter meus brinquedos.





Ficava em cima dos álbuns, medindo direto dos desenhos das figurinhas, tiradas de cenas do desenho animado. O que era um problema, porque as proporções dos personagens variavam muito nas imagens daquela animação tosca. Tirando uma média, eu ia desenhando as vistas dos personagens. Quem me dava as dicas de como organizar os desenhos era meu pai. Eu olhava os projetos de móveis e começava a aplicar os princípios, mesmo sem saber o que era uma vista superior ou um plano de corte. Pena que não sei onde foram parar os projetos originais.

Tendo feito meu projeto, eu saia pela marcenaria catando sobras e retalhos de madeiras. Desenhava as peças e lá ia meu pai arriscar os dedos pra cortar na serra de fita todas aquelas maluquices que eu inventava.

Eu lixava as peças e depois montava com meu pai. Daí revestia os bichos de verniz e pintava, procurando seguir as cores do desenho animado, tendo o álbum de figurinhas como referência:


O resultado foi esse aqui:



O triceratops é o Slag. Deu um trabalho danado de fazer os chifres dele. Depois de cortar a forma básica, tive que ir afinando com a lixa. Ah, ele abre e fecha a boca. No desenho animado ele cuspia fogo.



O brontossauro é o Sludge. Ele ficou quadradinho mesmo, porque eu não conseguia entender a curvatura do tronco dele, que variava muito no desenho. E curvar madeira, parceiro, não é mole, não.




O estegossauro é Snarl. Gosto dele, por ele ter as patinhas da frente tão pequenas. Deve ser engraçado ver um estegossauro caminhar. E a cauda deu um problema, porque a madeira era muito quebradiça. Algumas vezes os espinhos quebraram, mas daí era só passar uma colinha e tava novo.



O pteranodon é o Swoop. A articulação do pescoço é móvel. Gosto muito da aerodinâmica dele.



Grimlock, o t-rex era o líder do grupo. O robô ficou com um jeitão de godzilla, que eu curto.

Meus dinobots não eram transformers de verdade. Minha ideia era fazer um boneco na forma de robô e outro na forma de dinossauro. Mas só fiz um deles como robô, o Grimlock. E esqueci de bater foto dele hoje. (Judiação, tomara que ele não fique magoado...)

Confesso que me diverti mais bolando e montando os dinobots do que brincando com eles propriamente. Eu gostava das formas, das proporções. E ainda gosto. Confesso que olho pro molecote que eu fui e sinto orgulho.

Acho que minha brincadeira de Gepeto durou um ano, mais ou menos. Depois aconteceu como qualquer paixão, qualquer obsessão: um dia simplesmente passou e eu parei de fazer os robozinhos.

Eles estão lá na casa dos meus pais, em cima de uma estante, vigiando.

Quero montar uma prateleira aqui e trazê-los pra cá. Ainda gosto dos Dinobots. Ainda curto olhar e voar com eles por aí. Ainda consigo vê-los soltar fogo e fazer a terra tremer.

Fico feliz que essas coisas não mudem.






E essa é a minha Toy Story.

******

E essa é a velha serra que a gente usou pra dar forma a esses brinquedos anos atrás.



É. Não tinha como eu não chorar no fim de Toy Story 3.

16 comentários:

José Aguiar disse...

lindo.Só isso.

Anônimo disse...

fiquei com nó na garganta agora
bons tempos...

Cadu disse...

Que massa!

liber disse...

Obrigado pelas visitas e comentários, pessoal.

Esse post tem um valor muito pessoal pra mim...

Valeu!

marília disse...

A impressão esse fime me deixou foi de que as coisas vão embora e não é por isso que elas deixam de ser boas. Na verdade, talvez esse seja exatamente o lado cruel das despedidas: sempre sobra um pedaço que fica te puxando pra trás. Acho que é um filme sobre perda mais do que qualquer outra coisa. Por isso, quando eu fui ver Toy Story 3, eu sabia que ia sair de lá com uma ânsia terrível. Assim como todas as outras pessoas dentro do cinema.

liber disse...

Marília

É isso aí. Bem isso. No fim, acho que é como um amigo meu falou: o que importa é a história pra contar. E sempre fica uma história.
E vamos curtindo a vida.

;-)

temporário disse...

Bom, eu chorei mesmo em Toy Story, sem vergonha de estar triste em um cinema cheio de crianças!
ehehehe
Os seus brinquedos são maravilhosos Liber, parabéns!

zecarlos disse...

libertino meadows...concordo em genero,numero e grau hehehhehe.....bom como os ultimos 3 filmes da pixar nao me empolgaram e me decepcionaram(ratatolli,weall-e,up)destaque para up que achei o melhorzinho deles mas nao achei nada de mais alem do fato deles conseguirem dar carisma em um protagonista de idade avancada hehehe....toy story 3 ate o momento foi o melhor filme da pixar pra mim em todos os requesitos....e digo mais tem tudo pra ser um dos melhores,se nao o melhor filme do ano

Rafael Togo disse...

Nossa Líber, que foda!!!

Quando eu era pequenininho, queria ter meus bonecos dos Beats Wars. Mas eu nunca ganhava um, e não tinha pai marceneiro! Então eu fazia eles com peças de LEGO, e ficavam horríveis.

Nunca tinha entrado no vosso domínio. Excelente!

Abraços!

liber disse...

Pessoal, obrigado pela visita e pelos comentários. Estive fora uma semana, mas agora vou retomar a produção aqui no blog.

Valeu, gente!

Grande abraço!

Ani_lein disse...

incrivel!!

liber disse...

Obrigado, Ani.
:-)

Anônimo disse...

Seus bonecos são maravilhosos.. quando criança adorava o desenho Transformers onde meus favoritos eram os Dinobots.. sao lembraças que fikrao comigo para sempre.. de um tempo onde ser criança era oma aventura, hje tenho 30 anos e se algum dia puder escolher outra vida, escolherei a mesma so para ser criança novamente..

Ricardo Moreira disse...

Grande Liber!
Lembro dos seus Dinobots e do projeto paralelo para a Feira de Ciências do colégio em que estudávamos.
Lembro-me claramente disso: do seu processo de criação, do Roberto (que na época estava lendo Rambo: First Blood Part One) e da maquete na qual iríamos apresentar o tal projeto.
Lembro que eu cursava a 6ª série e você e o Roberto, a 7ª.
Não lembro exatamente como eu fui parar na mesma equipe, mas lembro que não estarmos na mesma sala no fim das contas tornou inviável que eu fizesse a apresentação com vocês...
Mas eu curti a valer aqueles dias!rsrsrs
(P.S.: eu tinha certeza que você guardaria os Dinobots para sempre!hahaha)
Fico sinceramente feliz e orgulhoso em acompanhar sua trajetória de sucesso.Você merece!
Aquele abraço e até um dia desses

liber disse...

Puxa, que legal, Ricardo! Lembrei de um bocado de coisas agora. Obrigado! Vamos nos falando!
Grande abraço!
:D

Erica Medeiros disse...

Sério...chorei!e amei seus robozinhos.