quarta-feira, setembro 08, 2010

Y

Tem histórias com ideias bem bacanas que já na primeira página nos fisgam. Por exemplo:



E a ideia é bem simples mesmo. Todos os machos do planeta morrem. Simples assim. De uma hora pra outra, instantaneamente, todo mamífero com cromossomo y tem um colapso e cai duro, sangrando por todos os poros.

Opa! Quero dizer, todos menos dois: o jovem nerd Yorick, mágico de rua especialista em fugas, e seu companheiro Ampersand, um mico. E é em torno desses dois mistérios (a morte dos homens e a sobrevivência de Yorick) que gira a série Y - O Último Homem. Mas o mote principal é como o mundo se estrutura após a morte dos homens. O que vai acontecer agora?


Tinha tudo pra ser enredo de filme pornô, mas o escritor Brian K. Vaughan cria uma série de quadrinhos com todo um jeito de Lost. Yorick é o pivô de toda a ação, mas ao seu redor tem toda uma série de tramas paralelas, reviravoltas e personagens interessantes.

Eu comecei a ler Y uns anos atrás através de downloads, mas depois de ler umas 5 histórias parei. Achei a história muito boa, o suficiente pra valer a pena esperar e ler impressa. Agora, a editora Panini já lançou 3 volumes da série Y, que você pode encontrar em livrarias ou na sua comic shop favorita.

O desenho de Pia Guerra é bem competente. O tal Brian Vaughan escreve legal, mas acho que ele não vai tão longe quanto poderia. Uma história como essa podia muito bem ser contada nos moldes de Ensaio sobre a Cegueira, do Saramago. Indo aos extremos, sabe. Mas ainda assim, Y é um gibi bacana, que vale a pena ser lido.

Eu gosto bastante desse texto que apresenta a série:

No verão de 2002, uma praga de origem desconhecida destruiu até o último esperma, feto e mamífero completamente desenvolvido com um cromossomo Y (com exceção de um rapaz e seu bichinho de estimação).

Esse "generocídio" exterminou instantaneamente 48% da população global, ou aproximadamente 2,9 bilhões de homens. 495 dos 500 CEOs listados pela revista Fortune estão mortos agora, bem como 99% dos proprietários de terras do mundo.

Só nos Estados Unidos, mais de 95% de todos os pilotos comerciais, motoristas de caminhão e capitães de navio morreram... assim como 92% dos presidiários condenados por crimes hediondos.

Internacionalmente, 99% de todos os trabalhadores nas indústrias mecânica, elétrica e de construção estão mortos agora... embora 51% da força de trabalho agrícola do planeta ainda esteja viva.

14 nações, incluindo Espanha e Alemanha, têm soldados do sexo feminino que serviram em unidades de combate terrestre. Nenhuma das quase 200 mil militares dos Estados Unidos participou de combate terrestre. Austrália, Noruega e Suécia são os únicos países que têm mulheres servindo a bordo de submarinos.

Em Israel, todas as mulheres entre as idades de 18 e 26 anos cumpriram serviço militar obrigatório nas Forças de Defesa de Israel pelo tempo mínimo de um ano e nove meses. Antes da praga, houve pelo menos três "mulheres-bombas" suicidas palestinas.

No mundo inteiro, 85% de todos os representantes governamentais estão mortos... assim como 100% dos padres católicos, imãs muçulmanos e rabinos judeus ortodoxos.

O mais bacana desse texto não são só as possibilidades ficcionais que ele apresenta, mas os dados (se forem corretos) sobre a estrutura de nossa própria realidade. Faz a gente pensar na tal igualdade, não é, moças?

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