domingo, outubro 31, 2010

Eleições

Queria muito escrever algo sobre as eleições, mas não tenho absolutamente nada de relevante a acrescentar do que já foi discutido em blogs, telejornais, debates, conversas de boteco.

Tenho minhas impressões pessoais, a quem interessar possa.

Pra começar, parece que as pessoas pensam que uma pessoa governa o país inteiro sozinha. Elas sabem que não, mas parecem ignorar isso na hora de discutir. Daí a maioria das discussões acaba girando em torno de "eu não voto em fulano de jeito nenhum!". Acho que antes de votar em alguém, a gente está votando em um partido, em um histórico e em uma proposta de governo. E acho que devíamos pensar mais nisso nas discussões.

Porém, dizer que "eu não voto em fulano de jeito nenhum!" também é uma manifestação legítima de escolha. Assim como não votar é uma escolha válida também. Podemos argumentar mil coisas contra essas posturas, mas isso é a democracia: você vota de acordo com seus princípios e de acordo com você acredita. É um caos, mas a opinião de cada um é respeitada.

A coisa que achei realmente bacana nessas eleições foi como a postura de "imparcialidade" da mídia foi posta abaixo. Ninguém é imparcial. Comparações de vídeos como essa aqui mostraram que "verdade" e "fatos" são uma questão de edição de vídeo e intenções de cada veículo de comunicação. Muito divertido. Inclusive usei o link citado na aula de audio-visual sobre "Verdade, Realidade e Ficção".

Falando em democracia, mídia e caos, a internet foi o grande campo pras discussões. Além de disponibilizar material como os vídeos dos links citados, teve a enxurrada de material toscamente produzido denegrindo um e outra candidato, teve a manifestação da opinião das pessoas através das redes sociais, teve o trabalho de diversos blogs que agiam por fora das mídias oficiais... quer dizer, teve material à beça pra ajudar a gente a pensar e discutir melhor a situação política.

Um fato que me marcou foi o Estado de São Paulo assumir que apoiava o Serra e demitir a Maria Rita Kehl quando ela publicou um texto favorável às posturas de políticas sociais do governo Lula. O interessante é que, dentro de todo esse panorama de liberdade de imprensa e tal, Kehl foi demitida por escrever um texto que causou desconforto entre os leitores e que não estava de acordo com a postura política do jornal. Entretanto, o texto ainda está disponível na página do jornal e pode ser lido aqui.

Acredito que seria muito mais honesto e um respeito à inteligência do cidadão se os jornais e meios de comunicação assumissem suas posturas políticas. Claro, existem casos como o da revista Veja em que você tem que ser MUITO tapado pra não ver qual candidato ela apóia, mas, pense só, em quem você acha que o William Bonner vai votar? E você acha que a intenção de voto dele não se reflete na edição do jornal?

Eu vou votar na Dilma, não na pessoa, mas nas ideias, nas políticas sociais de um governo que eu aprovo. Não tenho certeza nenhuma do desempenho que Dilma terá, de como será seu governo, mas voto de acordo com meus princípios. Pra uma argumentação mais detalhada da minha posição, dá uma olhada nos infográficos do Ilustre Bob, aqui, aqui e aqui. Dava pra argumentar mais, mas a essa altura do campeonato, você já votou ou já tem seu voto completamente decidido. Esse aqui não é um post de panfletagem, mas uma manifestação pessoal minha. Não tenho intenção de doutrinar ninguém, só expor minha opinião.

Nenhuma escolha é isenta de consequências e é impossível dizer com certeza quais serão essas consequências. A gente vota com um pouquinho de consciência e, inevitavelmente, com muito do coração. Porque, em vista das discussões acaloradas, das trapalhadas, dos insultos, do desconforto, a gente não pode dizer que não vota com paixão. Seja lá qual for nossa escolha.

E isso é legal. Em trinta e poucos anos de democracia, a gente tá começando a realmente tomar gosto pela coisa.

4 comentários:

Leleca disse...

tá, eu sei que não tem lá muita relação com o texto, mas...

tava vendo o link com as matérias do serra. a similiridade de cor e estilo dos GCs do jornal record e do jornal nacional me incomoda muito.

eu sei que a record tenta fazer televisão com a estética da globo, mas, putz, eles podiam ser menos descarados...

liber disse...

Leleca

Na verdade, seu comentário tem muita pertinência sim. Acredito que essa busca pela assimilação da linguagem visual da rede Globo seja totalmente proposital. A rede Globo foi (e é) hegemônica dentro da televisão aberta de nosso país. Acho que fazer o visual similar ao da Globo é buscar disputar diretamente com ela os telespectadores. O que eu acho bacana dessa história toda é que embora haja muita semelhança no visual, as orientações de texto e mensagem são completamente diferentes. Isso é o que me fascina nessa história toda. E graças à web, fica mais fácil ter acesso a esse tipo de material, fazer comparações e discutir o assunto. Lógico, também fica muito fácil para manipularem informações, mas se nos dedicamos a pesquisar um assunto, acabamos conseguindo construir um quadro do todo a partir desses fragmentos.

Ah, desculpa o palavreado acadêmico. Tô em ritmo de correção de trabalhos e é difícil desligar...

bjkas

Leleca disse...

com certeza os conteúdos são diferentes. mas eu nunca sei o que tou assistindo - sou esperta? hahahaha!

eu não concordo com esse esquema de fazer uma globo 2 pra competir. porque, vamos lá, se é a cópia, imediatamente você imagina que o original é melhor. ou eu imagino. eu já não sei mais de nada.

quarta, quando eu chegar no rio, eu te respondo aqueles trem tudo, hahahaha.

beijo!

liber disse...

Ah, com certeza você é mais esperta que a maioria dos ursos.

(e ganha um doce se sacar a referência... ;-)

Cópias a gente imagina que o original é melhor sim... mas talvez o pessoal siga essa sua ideia. Se é parecido, de repente o pessoal pensa que já tá assistindo a Globo e não troca de canal e continua vendo a Record. Faz sentido, né? Hahahahaha!