domingo, outubro 03, 2010

No que você está pensando agora?

Às vezes a tristeza simplesmente vem, senta na minha sala e não vai mais embora.

Antes ela me incomodava, mas acabamos fazendo amizade. Bebemos cerveja juntos, trocamos ideias, assistimos tv. Ela escreve uns poeminhas bacanas.

A última visita foi na segunda-feira. Ela chegou, pôs o American IV do Johnny Cash no aparelho e tocou Hurt. Veja a letra dessa canção! Não é linda de morrer? É linda sim, concordei. De morrer.

Daí ela pôs a música no repeat. "Show, né?" Pior que eu gosto da música. Muito. Mas poxa vida... quantas Hurt dura uma madrugada?

Isso faz parte da vida. Saboreie. Dona Tristeza tem umas ideias engraçadas sobre "saborear" a vida.

Uns dois dias atrás eu acordei e ela tinha ido embora. Deixou os cinzeiros sujos. Lazarenta.

Guardei o American IV, mas fiquei com essa ideia de fazer algo com a música. Talvez uma ilustra... ou uma hq. Sei lá.

Daí hoje abri o Facebook e a Janara tinha postado esse link:



Repare na música de fundo.

É.

E tem o poema do Buk, Bluebird:

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?


E eu penso em coincidências.

Talvez seja tudo uma grande bobagem, bobeiras da minha cabeça.

Ou talvez tudo faça sentido.

Talvez o mundo faça sentido e às vezes alguém que não existe (pelo menos não no sentido convencional do termo) mande pra gente uns recados nas entrelinhas dessas coincidências.

Agora qual o sentido? Bom, eu tenho o meu...

Ache você o seu.

(O responsável pela edição do vídeo acima é o Nicholas Gimenez. Você acha uma tradução do poema do Buk no blog dele).

8 comentários:

Gel disse...

'A felicidade gera inveja, angústia e intranquilidade. A felicidade gera tristeza.
A tristeza gera tranquilidade, porque desempenha um papel fundamental na recuperação da nossa homeostasia. Que se dê mais valor ao estar triste.
Porque acho que andamos tristes por não conseguirmos andar felizes'

Achei isso numa dessas minhas caças por blogs interessantes.
Falae se não é real, cara?!
Coisa linda!
=*

Leleca disse...

sou só amor pelo velho safado. e a tristeza é o sentimento mais chique que existe. é bom mesmo ter respeito quando ela aparece (um convite pra tomar um drinque sempre convém).

Carlos Wavel disse...

Oi.
Eu acredito em coincidências. E acho que foi por isso que um amigo compartilhou este link no Google Reader e eu vim parar aqui.

E eu finalmente estou achando o meu sentido.
Obrigado por postar algo tão legal!

Abraço,
Carlos

liber disse...

Olá,

Gel,adorei a citação. Acho que o lance é não tomar a felicidade como "ser". A gente não "é" feliz, acho que a gente "está" feliz. Ou não. Sei lá. Felicidade não é bem meu departamento. Ultimamente, pra mim, estar com a alma em paz já tá valendo.

Leleca, vamos, no mundo dos sonhos, sair pra tomar umas beras com o velho safado? Dar umas boas risadas e rabiscar umas besteiras. E daí aparece a tal felicidade... e a felicidade que brota da tristeza é chique também, né? :-)

Carlos, obrigado a você por passar por aqui e comentar. Fico muito feliz se esse texto teve algum significado pra você. Muito obrigado por me deixar saber.

A todos vocês meu obrigado sincero pela presença e participação aqui.

Grande abraço de urso.

Lyris disse...

Eu não acredito em coincidências. E aprendi, há pouco tempo, que estar com a alma em paz é a única felicidade real que existe. A única que é nossa, e só nossa. A única sobre a qual temos controle ou, pelo menos, podemos tentar, conscientemente, obter. E manter. A única que depende só de nós mesmos. (e, sim, ela depende de nós, não adianta fugir da responsabilidade).

O resto são estados passageiros de excitação, positiva ou negativa, gerados pelas circunstâncias... as quais, na maioria das vezes, não podemos controlar.

E como isso me irrita! :P

Por isso, paz de espírito é, hoje em dia, a única felicidade que tenho a pretensão de atingir.

Tristeza é um sentimento poderoso, nos faz sentir vivos. Nos faz refletir e, se soubermos usá-la, nos impulsiona pra frente, provoca mudanças. Acho importante sentir tristeza, mas confesso que não sou a maior fã dela não.

Ademais, quer coisa mais chique do que estar em paz consigo mesmo? ;o)

Pra animar, vou repetir meu moto de aniversário: "Just keep moving, it's such a wondrous world out there" - http://bit.ly/aKBmgI

Porque crise dos 30 - e três - não tem nada de chique.

(e também porque achei que "Se chorei ou se sorri..." ia ficar muito brega... haha :P)

Cheers,

liber disse...

Lyris!

Gostei muito do seu comentário.
Gosto de paz de espírito, gosto de felicidade e gosto de tristeza. Mas acho bacana quando essas coisas vem pra gente espontaneamente.
Acredito que a gente tem controle e faz escolhas, mas também acredito que... bom, "você desenha seu destino, mas o lápis que você usa não é seu", se é que você me entende. Eu não acredito em controle absoluto e planejamento absoluto. Sou mais adepto de planejar e improvisar... ;-)
Brincar com o que a vida oferece e se divertir dentro do possível. Afinal, no fim das contas todos estamos aqui a passeio, não é? E o caminho entre dois pontos não é necessariamente uma reta... hehe.


Bom te ver por aqui, Lyris.

Apareça sempre.

Você é muito legal!

;-)

Mariana Pires disse...

Tatuagens, pés e liberdade

Uma tarde comum
A mesma volta monótona para a casa
após mais um dia de ressaca e trabalho

Estou sentada em meio a pernas e mais pernas
rostos cansados e celulares

Não me importo
não escuto o som da multidão
Leio poemas...

Então ela veio em minha direção
Rosto comum, uma calça de ginástica surrada;

Imperceptível na multidão
Ela se senta ao meu lado e empolgada como criança
elogia minha tatuagem

Mostra a única que tem;
inacabada
esperando o “aval” de seu marido

Posso escutá-la, mas não posso senti-la

Automaticamente me ocorre
[Isso ainda existe mesmo?!]

Achei que as mulheres já haviam conquistado sua “liberdade”

Num estalo ela vai embora
quando percebo, meu livro já se perdeu em minha bolsa e
posso ouvir o barulho cotidiano
dos pés

para lá e para cá

Não consigo parar de pensar
“Estou tentando convencer meu marido”

Não me conformo...

liber disse...

Mariana

Muitas coisas passando pela sua cabeça, né? Muitas realidades.

Adorei seu comentário. Obrigado!

Volte sempre!