terça-feira, outubro 19, 2010

Três Filmes




Comer, rezar e amar

Não sei que merda eu tinha na cabeça quando paguei pra ver isso. Ah, é. A moça tinha me convidado e pensei em não ter preconceitos e abrir a mente.

A verdade é que é um filme bem produzido. Lógico, é o mínimo que a gente pode esperar. E tem uma linda lição de vida, amiga: quando você estiver em crise, achar que não ama mais seu parceiro e não tem mais uma direção na vida... largue tudo e passe um ano vadiando pelo mundo. É muito fácil. Você vai pra Itália, mora num lugar cool, come macarrão todo dia e, se engorda, não parece que engordou. Genial, amiga. Depois, se você quer espirtualidade, pode comprá-la num spa indiano. E se você quer um marido brasileiro, emotivo e gente boa, com a cara do Javier Barden. vá pra Bali. O mundo é uma grande loja de departamentos e se você quer felicidade e equilíbrio, é só ir ao lugar certo.

E quem paga tudo isso? Ah, isso são detalhes, amiga. O importante é ter equilíbrio e ser feliz ao lado do verdadeiro amor. E quando você cansar dele, arranje outro.

Fofa.

Tropa de Elite 2


As pessoas gostam do Capitão Nascimento. Acho que mais ou menos do mesmo jeito que gostam do dr. House ou do Rorschach ou do Coringa do Heath Ledger. É legal ver um cara que faz tudo aquilo que, por contrato social, a gente é proibido de fazer. Falar verdades, dar tapas na cara, mandar à merda. E, ocasionalmente, pintar paredes com miolos. Eu ando na vibe de pintar paredes com miolos, mas sabe como é, contrato social, então a gente fica com a catarse do Capitão Nascimento mesmo.

E pra mim, Tropa de Elite é catarse. Adoro o Nascimento. O que eu acho sensacional é as pessoas saírem deslumbradas com a tal "corrupção" mostrada no filme. Nossa, é novidade pra você? É que nem "se vai me foder, me beija antes"? Você nunca tinha ouvido? Por onde você anda?

Sensacional é que as pessoas curtem o Nascimento, e algumas queriam fazer igual a ele, mas não percebem que são tão falhas quanto os coitados que levam tapa na cara. Se tivesse um capitão Nascimento na sua vida, você acha que não ia levar bronca? Acha que ia passar incólume? Você se acha íntegro? Mesmo? De verdade?

Fanfarrão.

A Estrada


Não consigo assistir esse filme inteiro. Ele me perturba demais.

O mundo acabou. De verdade. Mesmo. Daí, nas cinzas, sem comida, esse pai perambula com o filho, procurando por algo. Mas o quê? E há outras pessoas que estocam outras pessoas no porão pra usar de alimento. E esse pai tem uma arma com uma só bala, e daí, quando o perigo chega perto, ele puxa o filho pra junto de si e aponta a arma pra testa do moleque. Porque é melhor matar o guri do que deixar acontecer algo pior do que ter de dar um tiro na cabeça do menino. E tem a mamãe que imaginava se não seria melhor todos se matarem de uma vez. Ela sai pra morrer na escuridão.

O que deve ser viver sem esperança nenhuma? Quando a gente se dá conta que sobreviver não basta?

A decepção de ontem, a desilusão de hoje e a desesperança crônica no amanhã. (Garotos Podres)

Pois é, vivemos num mundo de políticos corruptos, gentes sozinhas e desamparadas, gentes estúpidas e cruéis. Truculência, solidão, superficialidade, boçalidade.

Mas teremos um amanhã.

Somos sortudos.

2 comentários:

Gel disse...

'Amanhã' serve de bálsamo...
A vontade de dar continuidade, mesmo depois de tanta ruindade, vem da esperança de 'amanhã'.
'Amanhã' talvez seja a oportunidade de fazer diferente agora.
Mas isso é só uma opinião que pode mudar amanhã mesmo.

Carlinha disse...

Eu pensei exatamente a mesma coisa quando li o livro...nem perdi o meu tempo indo ver a Julia Roberts, hehehe