terça-feira, novembro 23, 2010

Pois é, eu fui no show do Paul

Nunca tinha ido em show grande.

Tipo assim, já vi Titãs, Los Hermanos, Pato Fu. Vi Jethro Tull. E foi bacana, sabe, foi bem legal. Mas nunca tinha ido em show grande mesmo, desses de estádio, desses megaboga, sabe?

Caí no show do Paul meio que por acidente. Tinha excursão, tava sobrando um lugar e amigo meu me ligou: "Tá a fim?" Bora lá. Em São Paulo, no Morumbi. Diz que é o segundo maior, atrás do Maracanã. Verdade? Não sei, me disseram. Enfim, São Paulo é uma cidade superlativa. Tudo lá é maior, exagerado, gigantesco. O nosso busão estacionou a duas quadras do estádio. Mais tarde, depois do show, a gente levaria meia hora pra caminhar essas duas quadras. Quadras paulistas: superlativas.

Entramos no estádio às seis, a gente ia ficar na pista. Tava tranquilo, escolhemos uma posição e sentamos, deitamos. Ficamos ali curtindo, batendo papo. Escutando o papo dos outros. Legal bisbilhotar conversas de meninas: impressionante saber como esse papo de aparência pesa na vida delas. E talvez na nossa também.

Fiquei ali deitadão, olhando pro céu azul, curtindo. E o dia foi acabando, foi escurecendo. Ao redor da minha visão iam aparecendo mais pessoas em pé, mais e mais pessoas, até que o camarada gritou "levanta!" e pulei e a multidão fechou. Daí olhei ao redor e vi as arquibancadas lotadas, as luzes, as texturas de milhares de pessoas. Tudo superlativo.

Cheiros. Cerveja, creme de barbear, desodorante, cigarro, suor, maconha. Vozes, comentários. Pessoal cronometrando pro começo do show. "O cara é britânico, não vai atrasar".

Não lembro qual foi a música que ele começou o show. Mas eu lembro da lua cheia, amarela, logo atrás do palco. Não conheço muito o trabalho do McCartney. Pra ser sincero, não ligava a mínima pro Paul. Mas a impressão, a energia que correu pela multidão quando ele entrou no palco... caralho, véio. Noooossa. Superlativo? Não, transcendental. Mundo mundo vasto mundo.

A moça ao meu lado chorava. Não era choro de fã histérica. Ela cantava, de repente parava, juntava as palmas das mãos diante da boca, fechava os olhos, as lágrimas corriam, abria os olhos de novo, olhava para o palco. Aquele olhar cintilante de lágrima, sabe?

E um mundão de gente com suas câmeras e celulares filmando, braços estendidos alto pra pegar a melhor imagem. E essa gente mantia um braço estendido com a câmera e limpava as lágrimas com as costas da outra mão.

Cantar "Hey Jude" com um dos Beatles originais e um coro de mais de 60 mil pessoas: transcendental.

Estremecer com o espetáculo de fogos de Live and Let Die. Difícil imaginar uma festa de reveillon que consiga superar aquilo. Pra mim 2011 já começou. Feliz ano novo pra vocês.

Eleanor Rugby, Yesterday, Let it Be, Helter Skelter...

Um clássico inesquecível no Morumbi.

(E o tombão de Paul no final. Como pode? 68 anos, o cara levar um pacote daqueles e já se levantar no ato?)

Na saída a multidão se espalha pelas ruas. Tanta e tanta gente caminhando, aqui e ali cantando aquelas canções de Beatles, Wings... Comer um queijinho assado no palito. Celebrar a vida.

Com gratidão.

10 comentários:

Carolzinha disse...

Caramba, não acredito que vc foi. Que massa. Quem me dera heim =D

leleca disse...

Me lembrou muito o show dos Stones em Copacabana. Muito muito muito bacana mesmo.

Feliz ano novo pra você também, querido. ;)

liber disse...

Obrigado, moças.

Bjão!

Anônimo disse...

Vi o Show do Paul aqui em Curitiba, na Pedreira, junto com a minha Mãe. Foi muito emocionante!

Abraços!
Rodrigo Stulzer
transpirando.com

Juli Passos disse...

Ano Novo = Eu quero!!!

literaturaorganica disse...

eeeeeeeeeee! E eu sou testemunha de que você estava lá. Por acaso você ouviu eu berrando Helter Skelter? rsrs
Também fui ao acaso. Um acaso bem combinado com alguém lá de cima. Perdi meu pai no começo de setembro. Eu sei todas as músicas de cor. Meu velho gostava tanto do Paul, que era daqueles que ouvia o mesmo CD umas 20 vezes num dia só.
Eu soube da excursão. Vi que era possível, mas poderia não ter mais lugares. Havia exatos 4 lugares: minha mãe, minha irmã, eu e namorado. Era pra ser.
Ao entrar no ônibus quem eu encontro? Senhor Liber. Sim, o senhor Liber das histórias, das conversas, dos almoços, dos textos e desenhos. Sim, era pra ser.
Foi legal te ver de novo, cara.
Marquemos um café.

Beijos,

K.

liber disse...

Karina

Meus pêsames pelo seu pai. Eu não sabia. Meus sentimentos. Sem dúvida, esse show deve ter significado muito pra ti.

Vamos nos falar sim.

Bjs, moça.
E muita luz.

liber disse...

Juli,

Isso é um convite? :-)


Rodrigo

Eu me lembro de quando teve esse show na pedreira, mas não fui ver na época. Ainda bem que o homem me deu uma segunda chance. :-)
Sempre bom te ver por aqui, camarada!
Grande abraço!

Róger Araujo disse...

Lições musicais

Pois é, Liber. Fui no show igualmente sem conhecer muito do Seu Paulo. Também não dava a mínima, apesar de saber da importância da figura (e eu sou músico). A Karina me chamou e eu pensei que pelo menos haveria uma pá de músicas dos Beatles e equipamentos pra analisar, elogiar e falar mal. As músicas do Paulão? Nem tcham. A maioria quando se escuta nos CDs são meio morninhas. Aprendi várias lições indo lá, uma delas é ao vivo, as músicas bobinhas viram monstros. Aquele baita estádio lotado cantando junto e extremamente emocionado, a presença do tiozão, um ex-beatle, e aquela banda impecável que nem se quer olhava pros instrumentos, nem nas horas mais complicadas e entravam seguros em todos os backs... Não há som 5.1 e TV HD de LED 3D que bata isso! Outra lição foi ver aquele senhorzinho cantando e gritando do inicio ao fim do show sem deixar só o pessoal lá berrando no lugar dele. Ele cantou do inicio ao fim, reparou? Como pode? Foram três horas! O Ian Anderson do Jethro, da última vez que veio pra Curitiba, largava toda hora o vocal pra platéia e se economizava ao máximo. E o show nem foi longo.
Cara, resumindo, aprendi a não subestimar uma lenda. Foi o legítimo tapa de luva. As canções morninhas? Já viraram repertório e já estão no PC para análise prazerosa de cada detalhe!
Fomos graciosamente massacrados por um estádio aos berros, por uma cidade gigantesca agraciados majestosamente pela energia de um titã. Como você disse, transcendental.

janii disse...

A forma com que você (d)escreveu os fatos faz com que a gente se sinta dentro da historinha :D Gostei, profe!