É um jogo. As regras são essas aqui. A ideia é do MaxReinert.
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2010 foi ano de eleições.
Primeira coisa que me incomoda nas eleições: a ideia de candidato "vitorioso" e "derrotado". Eleição não é uma competição. É um momento de escolha. Não tem como você sair derrotado de uma eleição.
Ainda assim, tivemos o discurso do "candidato derrotado", que garantiu que a "luta de verdade" estava apenas começando. Uma luta.
A "insenção" dos meios de comunicação também é constrangedora. Edições de matérias completamente tendenciosas, tanto para um quanto para outro candidato, dependendo do gosto da casa. Meios de comunicação que não assumem suas posturas e intenções, dizem-se "sérios" e "imparciais" e "montam" a verdade e os fatos como bem entendem.
Incomoda também o fato das pessoas que defendem a democracia sentirem-se indignadas com os resultados das eleições. Para essas pessoas é inaceitável que o processo democrático permita a eleição de candidatos que não sejam os delas. E dá-lhe a enxurrada de ideias imbecis, preconceituosas e fascistas no papo de boteco, de sala de aula, de ponto de ônibus, no twitter, no facebook.
Eleição é escolha. Se todo mundo votou em uma pessoa, deve ter uma razão para isso. Quando se diz que os votos do Tiririca vieram de um milhão de idiotas, estamos desrespeitando o próprio conceito de democracia. Pode-se questionar e refletir sobre esses votos, sobre as razões de seus eleitores, mas o que se vê é um monte de pessoas "cultas" indignadas com a "incapacidade" da "massa" em escolher seu representante.
Vergonhoso.
Eu tive vergonha dessas pessoas, tive vergonha da imprensa do meu país, tive vergonha de todo mundo que se considera "culto" e "bem-informado" e que tem a arrogância de achar que a democracia só vale quando legitima seus próprios interesses.
E, sim, eu estou no meio desse bolo. E você também.
"Troféu Vergonha Alheia 2010".
É nóis.
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