quarta-feira, fevereiro 23, 2011

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A moça tinha uma tatuagem de escorpião no ombro. Assim aqui, nas costas. E eu acordava de manhã e via, entre lençóis, na pele, as pinças, as oito patas, o ferrão.

Às vezes ela me olhava com ódio. A moça. Ódio. Doía.

Ainda assim

Ainda assim, quando acabou ficou um vazio. Isso é que ela não entendia. Eu não entendia. Fica sempre um vazio. Quando acaba. A impressão de que tá faltando alguma coisa. E daí o tempo passa e até essa impressão se acaba. E é triste por que o vazio continua lá e já nem nos damos conta, porque nos esquecemos de que, além de um escorpião, lá, antes, também existia uma linda menina de abraços que segurava montes de balões coloridos e tinha sempre um livrinho nas mãos.

E foi-se.

Numa manhã acordávamos juntos, numa tarde trocávamos cordialidades como estranhos.

Eu e a moça de escorpião.

2 comentários:

Gel disse...

Lindão!

Isa disse...

Você tem a sensibilidade certa pra escrever!
Lindo texto, Liber!!!
Beijos!