domingo, março 20, 2011

Reveillon Curitibano

Foi uma piada interna que fugiu do controle. Completamente.

Assim, de brincadeira, pensaram em fazer um reveillon em Curitiba, depois do carnaval. Afinal, o ano só começa daí, né? E no facebook criaram o "O único reveillon fora de época do brasil!". Isso foi na segunda-feira. Esperavam que umas 30 pessoas iam aceitar o convite. Daí na sexta-feira iam fazer uma reunião descompromissada na praça com os mais chegados.

Na terça-feira mais de cinquenta pessoas tinham aceito o convite. Bom, talvez seja legal fazer um "site" do evento. E fizeram. E mais pessoas foram aceitando e tal. Na quinta-feira, pelo facebook, umas 2500 pessoas tinham confirmado presença. De quinta pra sexta o número dobrou.

E na tal noite do reveillon, eu liguei pra Nat pra perguntar como ia ser o esquema, se a gente se encontrava pra comprar a bebida e tal. Daí que fui descobrir que ela era uma das donas da ideia. Uau. Haha!

As ruas ficaram congestionadas e cheguei na Praça da Espanha a pé. Multidão. Situação totalmente surreal.



Entenda, o curitibano tem fama de anti-social. E chato. "Não me toque","não fale comigo" e "não entre no meu caminho". Coisas assim. E, de repente, 7500 pessoas (segundo as estimativas da equipe de tv), se reuniram numa praça pra celebrar uma bobagem.

E pode-se argumentar que o reveillon foi uma bobagem, mas qual festa não é? Festa séria é festa chata. Festa de verdade é espontânea, vem do povo. Ninguém obrigou as 7500 pessoas a irem pra praça. O reveillon fake foi uma celebração tão legítima quanto qualquer outra.

7500 pessoas reunidas pra fazer nada. Não tinha banda tocando, não tinha barraquinha vendendo bebida, não tinha marca nenhuma patrocinando. Pessoal de Curitiba foi pra praça pra se encontrar, pra tagarelar, pra "brincar" de ano novo. De repente, a Praça voltou a ser aquilo pra que foi inventada: um lugar pras pessoas se encontrarem.

(e se tinha 7500 pessoas na praça pra comemorar um "reveillon imaginário", como ficou a "night" oficial? Como ficaram os bares celebrando o "San Patrick's Day"? Lotados? Hm?)

Dia seguinte, adivinha, a Praça estava suja. Parecia que 7500 pessoas tinham passado por lá. Cada um levou sua própria bebida e muitos deixaram as latinhas e garrafas por lá mesmo. Apesar da sujeira, a praça vai sobreviver.

Passei o sábado com a Nat e o pessoal, morgando no estúdio, tocando baixo, acompanhando as notícias, reclamações e comentários sobre o tal "reveillon".

Maioria do pessoal gostou, mas sempre tem os "profundamente indignados". Diziam: "como ousaram perturbar a ordem e a paz do Batel Soho?" e exigiam punição para os "responsáveis". Legal ler as opiniões e ver como funciona a cabeça de alguém que chama o Batel de "Soho". Dá pra entender de onde vem o estereótipo elitista curitibano.

Elitismo também está nas entrelinhas das conversas: "foi um evento bacana porque só foi a galerinha do facebook". "Tem que evitar a orkutização". Pelamor...

Não sei dizer se Curitiba é uma cidade mais antipática do que as outras. Eu considero ela uma cidade reprimida, com esporádicos e cada vez mais frequentes surtos freak. Não sei prever se esse perfil vai mudar, se a cidade vai assumir seu lado freak, se tudo vai continuar na mesma.

Sei que Curitiba é um lugar bacana, gosto daqui e dos malucos que vivem aqui. O reveillon fake foi divertido e ano que vem com certeza teremos outro.

Agora o pessoal que aniversaria em fevereiro e março corre o risco de festar num reveillon.

E feliz 2011 pra vocês.

;-)

6 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns! Adorei o seu post e concordo com grande parte dele... Minha mãe trabalha na ASCORES (Associação dos Comerciantes da Região da Praça da Espanha) conhecida como Batel Soho. Ao contrário do que você disse, os membros dessa associação acharam a idéia muito boa e sei que muitos desses membros estiveram na festa, pois os vi por lá celebrando uma bobagem, como você disse. A Associação realiza eventos na Praça periodicamente e por isso muita gente realaciona a praça ao "Batel Soho". Mas quem tem contato com as pessoas dessa associação sabe que não existe pretensão territorialista nenhuma. Só quis fazer essa observação porque eu moro do lado da praça e conheço muita gente do tal do Batel Soho (eu nem gosto muito desse nome) e sei que taxaram o Batel Soho como Satanás do evento e não foi bem assim!

Mais uma vez, parabéns pelo post!

liber disse...

Oi Anônimo (ou Anônima)

Obrigado pela visita e comentário! Fica registrada sua opinião!

abraços
Liber

ana-chan disse...

Eu quero de novo ano que vem XD

Anônimo disse...

Aos bobocas e curitibocas, eu até acho legal uma festa um uma praça, afinal não temos praia, a prefeitura não faz nada de legal para nós, fecham a pedreira, o melhor lugar para show do Brasil.

Mas antes de tudo, chamar o lugar de Batel Soho??? queria saber quem teve essa idéia ridícula? A + ou - uns 10, 15 anos atrás eu frequentava a praça, e o lugar era excelente, podia ficar lá uma tarde inteira na boa, hoje virou um lixo comercial e está ficando cada vez pior.

Tempo bom que não volta mais....

Sobre esta festa aí é melhor nem comentar por enquanto, é capaz de aparecer uns revoltadinhos desocupados para jogar pedra e defender o que é lixo cultural para os curitibocas...

lett disse...

Se o poder da coletividade derruba Mubarack e abala a ditadura de Kadafi pode enfim quebrar o gelo dos curitibanos. A verdade é que ta todo mundo aberto, querendo algo a mais, só que o preconceito de ser freak ainda assusta. Salve o poder da coletividade galera. Todo mundo tem voz e pode fazer acontecer. A cidade é nossa e devemos vivenciá-la. Linda a iniciativa dos criadores do evento. Genial mesmo. Agora vamos fazer essa voz gritar também pelo que precisa ser dito. Política, justiça, festa. Vale tudo. Está aberta a temporada de fazer acontecer.

Anônimo disse...

Salve Velho Amigo,

Isto me faz me lembrar as dezenas de eventos que organizamos a partir do CEFET, começavam com poucos integrantes e cresciam até os milhares.

Assim, foi a brincadeira dos cara-pintadas, ajudei a encabeçar esta parada mais de uma vez. Depois, veio a mídia com aqueles papos idiotas.

Também o tal MPL (movimento do passe livre), que hj parece ter ressussitado. Culminando uma vez que a recém criada guarda municipal desceu o cacete em todo mundo. E daí decidimos revidar, e o quebra-quebra foi geral.

E as passeatas com o Lucius Cristo, incluindo o desafio ao Inri Cristo!

Bom tempos, de pura espontaneidade.

[]´s
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LVR