domingo, abril 10, 2011

Domingo à noite

Começa assim, com esse vídeo:



Daí depois vem esse:



Adoro o primeiro vídeo. Mesmo, sério.

E acho o segundo simplesmente genial. Eu queria filmar algo assim. Pegar alguma coisa e fazer uma releitura insana dessas. Mas a brutalidade do vídeo é assustadora. No fim, apesar da cançãozinha, ainda é uma execução.

E daí vem o que aconteceu lá no Rio. As crianças, o atirador e tal. Ele mirava na cabeça, dizem. Não assisti as reportagens na tv e não tive coragem de procurar pra assistir na internet. Vi de relance cenas do funeral das crianças.

Daí fui em show de rock, fui assistir desenho animado no cinema.

Numa conversa de boteco, um colega falou que a obesidade mórbida era um perigo maior pra sociedade do que um assassino psicótico:

"Porque o assassino psicótico é um desvio estatístico. Acontece um caso em... em o quê? Mil, cinco mil pessoas? E a obesidade ataca um terço da população..."

Fiquei com isso na cabeça. O grande zumbido de informações. O Grande Absurdo.

Crianças sendo executadas e eu na tranquilidade da minha "preciosa vidinha". Que nem Scott Pilgrim. Musiquinha em oito bits e tudo.

Essa tarde eu dei mamadeira pra minha sobrinha pela primeira vez. Segurei a menininha, bateram foto de mim, tio coruja, essas coisas. A outra sobrinha bateu a cabeça, fez um galo feio. Ela chorava. Minha irmã acalentou a menina no colo, mas ela não parava de chorar. Daí fui lá e segurei a mão dela. Coisa que vi na tv, em filme, sei lá. Só segurei a mão dela. E a menina ficou olhando pra mim, foi se tranquilizando, dormiu. As sobrinhas mal começaram a andar.

É um mundo muito louco esse, sabe? Vídeos, momentos, fragmentos de textos, pensamentos, vidas. Em blogs, sites, tweets, facebooks. Todo mundo se esforçando pra parecer feliz, bem, antenado, cool. Espero que sejam mesmo.

Tem muita coisa boa por aí. Tem muita coisa ruim também. Não quero fazer matemática pra descobrir se o saldo é positivo ou não.

Eu só queria dizer que eu sinto muito.

Crianças não deveriam morrer desse jeito.

Não podem morrer desse jeito.

4 comentários:

Leleca disse...

Eu também adoro o primeiro vídeo. E agora adoro o segundo também.

Na manhã da chacina na escola, eu fiquei com a Globonews ligada e coisa e tal. E aí começaram as especulações e todo aquele jornalismo e... eu desisti de ver. Vi quem era o cara, o que ele escreveu na carta e é isso. Porque, não adianta, não vai fazer sentido na nossa cabeça - na dele tava tudo encaixadinho, garanto.

"Toda grávida tem que morar no mundo dos ursinhos carinhosos", diz uma amiga minha. Eu não sei se é egoísmo, covardia ou é só uma coisa de não querer ser sádica; mas eu não quero entender. Eu quero que as pessoas tentem se recuperar e ser felizes. E só.

(foi legal dar mamadeira pra pequenininha?)

liber disse...

Leleca,

Foi legal sim.
;-)

bjs

Carol Capellani disse...

Nossa, eu ri muito no último vídeo! Adorei. Dá pra pirar nuns vídeos assim né? algo chocante contrastando com algo nosense.Muito bom. Também deu vontade de fazer uns videos. hehe
Gosto do jeito que vc usa seu blog, como escreve, etc. Vou tentar me inspirar pro meu, só tenho postado desenhos e uma vez em nunca.
Quanto à tragédia, tbm não vi nada nem na tv nem na internet, e é uma pena que ainda aconteçam coisas tão primitivas nesse planeta.. mas enfim, isso foi só o que passou na tv né.. existe muito mais por aí... :(
Mas é como vc falou, enquanto isso tudo acontece, a gente vai ao cinema, conversa com amigos descontraídamente, faz carinhos em nossos bichinhos, sobrinhos, etc. Se temos o privilégio de viver assim, temos a obrigação de aproveitar essa vida.
beijos

liber disse...

Carol, muito obrigado pelas palavras. Acho que escrevo mesmo para partilhar, para entrar em contato com outras pessoas. Se você gosta, fico feliz.
;-)

Até a próxima