domingo, abril 10, 2011

O Poema

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre
[na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
[condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

Mário Quintana
in Aprendiz de Feiticeiro

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(Eu li esse poema pela primeira vez em 1992. Eu estava trabalhando como bolsista em um departamento burocrático da escola. O poema ilustrava um cartaz de um concurso de poesias. Li outros poemas depois, de Quintana e de outros. Poemas melhores talvez. Mas esse é o poema que me acompanha desde então. Esse é o poema que nunca esqueci.)

3 comentários:

Carol Capellani disse...

Meu poeta preferido depois de Alberto Caeiro.

Um dos meus preferidos:

Cocktail Party

Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca…
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos…)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças
d’água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!

matheus aguilar disse...

Mário Quintana é gênio.
também faço poesias, dá uma olhada:

http://matheuspoesias.blogspot.com

acompanho sempre teu blog, mas raramente comento. vou transformar em hábito.

continua com os bons textos. um abraço!

liber disse...

Carol e Matheus, obrigado pela visita e comentários.
Vou visitar seu blog, Matheus.

Abraço!