domingo, maio 01, 2011

Feliz aniversário

"e a felicidade (essa vendida como peças numeradas da H. Stern) deve ser essa coisa como morte que na verdade ninguém sabe por experiência."

A frase é da Van Rodrigues.

Felicidade, me parece, tá ficando que nem amor: uma coisa complicada de definir, quanto mais de se alcançar... Mas tem tanta gente feliz por aí. Que raiva. Como essas pessoas conseguem?

Talvez a felicidade seja mesmo igual o amor: não adianta correr atrás. Uma hora ela acontece. Ou não.

Ou talvez ela já tenha acontecido.

De repente é assim: acontece e a gente não percebe. A gente não tem a experiência e não consegue reconhecer. Já pensou?

Os amigos mais sensacionais do mundo, um trabalho gratificante e significativo, uma família bacana.

Saúde. Livros. Arte.

Uma tarde preguiçosa de sábado.

Sol.

Aí está a felicidade, não é?

Ou é na gente?

Eu não sei. Você sabe?

Bem, devido às circunstâncias, obviamente não foi o mais feliz dos aniversários.

No corredor do hospital, com choro de crianças e de pais, a gente pensa em algumas coisas.

Pensa que pode, de repente, reconhecer a dimensão daquilo que possui, dos problemas e das vantagens. Pensa que vai sair mudado, que nunca mais vai reclamar, que vai saber reconhecer o prazer das pequenas coisas, como ir comprar leite pro café da manhã das menininhas.

Pensa em tudo isso.

E ao mesmo tempo percebe que em um mês ou dois vai ser consumido pelo cotidiano de novo, vai reclamar das mesmas coisas imbecis de novo.

Se você vai mudar, tem que trabalhar constantemente na mudança. Tem que ter dedicação e empenho e cuidar pra não cair nos velhos hábitos. Uma disciplina rígida.

Mas felicidade não devia ser algo leve?

De repente a felicidade não está no fazer, no correr atrás, mas no simples ato de parar e perceber. Só isso.

É, né?

Mais um ano pra descobrir.


******

(Gostaria de agradecer muito a todos os meus amigos e amigas, todas as pessoas que estiveram comigo nos últimos dias, seja pessoalmente ou por mensagens. Muito obrigado a vocês. Graças a vocês, minha vida está com certeza muito mais rica. Felicidades e tudo de bom para todos e todas vocês.)

3 comentários:

Gel disse...

"Foi um estalo vital. Maledicências corroíam todos nós. Nosso meio ruía. Meus olhos estavam embaçados por derrotas.
No caminho para casa iniciei um processo de aceitação. Pensei por que eu continuava naquele lugar. Questionei-me sobre a maldade da qual metade somos feitos. Eis que descobria dentro de mim, eu mesma. Estava ali para me encontrar. E me achei em parte, isolada lá no fundo da alma. Compreendi que aquela metade má existe mesmo. Ela é ruim, porém ela dá vida à metade boa. A que se escondia.
Nesse momento, a menina estranha do colégio não mudou... Virou do avesso! Desde então a sorte ficou impregnada no meu corpo como símbolo de uma nova fase. Pois, ao contrário do que pensava, o mundo gira e a gente não necessariamente tem que cair. Trocadilhos a parte, foi necessário equilíbrio.
Se os erros me levaram ao acerto, logo, todo bom é feito de um pouco de mau. Nada é inteiro n’um mundo de meias verdades, mas escolhi pensar que o copo está sempre meio cheio!"

minha felicidade!Um beijo.

Isa disse...

Gostei muito do post, Liber!
Me reconheci nele :)

Ainda falta um tempo até seu dia de aniversário acabar, então, continue aproveitando!

Fique bem! Força aí!
Felicidades (ou momentos felizes) sempre! :D

Beijos!!!

Gheysa disse...

Então...
Felicidade é algo mesmo difícil de definir, às vezes somos felizes por um dia, às vezes por ano e muitas vezes só nos damos conta disso quando estamos infelizes, pensando em como estava bom antes e como não está agora!
Sei de suas circunstâncias, li no post anterior.
Tudo o que posso dizer é tenha fé!
Acredito que crianças estão entre os seres mais resilientes do planeta. Apesar de pequenas e com aparência frágil são dotadas de capacidade de recuperação enorme e quando tudo passa, parece mesmo é que nada aconteceu.
Que Deus ilumine seu novo ano e o seu desejo de aniversário, que com certeza foi ver sua sobrinha bem novamente!
Tudo de bom!