domingo, maio 22, 2011

Fim de semana Quadrinhos na Veia

Fui convidado pra falar sobre quadrinhos nacionais lá no II Encontro de Cultura e Comunicação do IPFR. O bate-papo foi bem bacana e rolou nessa sexta-feira. Assim que saí, corri pra pegar o busão pra São Paulo.

Foi lá que a Companhia das Letras promoveu o 1º Encontro Quadrinhos na Cia, uma série de conversas com diversos profissionais dos quadrinhos, todas mediadas pelos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá.



Eu considero Moon e Bá os maiores profissionais dos quadrinhos no Brasil. Além de se preocuparem com a qualidade de sua produção, eles se empenharam em ações que consolidaram sua presença dentro do mercado norte-americano e, com certeza, colaboraram para a atual situação do quadrinho nacional.

O encontro promovido pela Companhia das Letras marcava também o aniversário de dois anos do selo Quadrinhos na Cia, que já lançou diversas obras de autores brasileiros e internacionais.

As conversas do 1º Encontro Quadrinhos na Cia aconteceram na Livraria Cultura da Avenida Paulista. Apesar do ar-condicionado pifado e do calor sufocante, o evento foi muito bacana, com boa participação do público.

A primeira mesa era sobre adaptações literárias, com participação de Spacca e Wander Antunes.

Tem muitas adaptações de clássicos literários disponíveis no mercado brasileiro. Isso se deve ao governo selecionar algumas dessas obras e comprar milhares e milhares delas para usar como material didático nas escolas. Portanto, adaptações literárias podem ser um excelente investimento por parte das editoras e praticamente se consolidaram como um gênero dos quadrinhos.

Eu confesso que tenho certas ressalvas com as adaptações literárias. O comprometimento dos profissionais na elaboração dessas histórias é inegável, mas eu gostaria de saber como elas estão sendo usadas em sala de aula. Quem está lendo esses quadrinhos? Crianças? Pré-adolescentes? Como os professores estão apresentando essas obras?

Didaticamente, a ideia é que os quadrinhos despertem a atenção para os livros originais. Isso está dando certo?

Afinal, mesmo sendo um excelente trabalho,ler O Alienista produzido por Moon e Bá não é a mesma coisa que ler o texto original de Machado de Assis. Na minha humilde opinião, embora as comparações sejam inevitáveis, uma adaptação deve se sustentar em si. Deve trazer uma opinião, um outro olhar sobre a obra, o tema. Deve promover uma discussão ou, no mínimo, acrescentar algo novo.

Mas mesmo que não faça nada disso, no fim das contas a adaptação é um trabalho independente. Pode ser que quem ler os quadrinhos ou veja o filme jamais tenha contato com a obra original. Enfim, elucubrações...

A segunda mesa foi sobre Mercado Internacional, com o Marcelo Lelis e Joe Prado.

A terceira contou com a presença de Caeto, Eduardo Medeiros e Lourenço Mutarelli. O tema era quadrinhos autobiográficos, que também já se constitui praticamente um gênero. É impressionante a quantidade de artistas trabalhando sobre esse tema.

Por fim, DW Ribatski, Emilio Fraia, Gustavo Duarte e Vitor Cafaggi falaram sobre a Nova Geração do quadrinho nacional. Pessoas como o próprio Vitor, que estão começando a mostrar a cara com seu trabalho na Internet e em publicações como o MSP 50.

Aliás, o Vitor é responsável pelo ótimo Puny Parker, uma fanfic que descobri que está chegando ao fim. Uma pena. Por outro lado, se você conferir, vai perceber que Cafaggi desenvolveu uma ótima narrativa e criou diversas situações muito singelas, no melhor sentido do termo. Esse guri vai longe.

Já Gustavo Duarte atua firme na área de ilustração e cartum há um bom tempo. Desenvolveu alguns quadrinhos que primam pela ótima linguagem gráfica. Desenhos lindos e sequências silenciosas que constroem histórias psicodélicas e divertidas. Um exemplo é o ótimo Táxi.

DW Ribatski é velho conhecido aqui de Curitiba. Com uma proposta de quadrinhos bem underground, ele está se mostrando cada vez mais para um público maior. Está trabalhando em um álbum de quadrinhos junto com o escritor Emilio Fraia a ser lançado pelo Quadrinhos na Cia agora no segundo semestre. Seu último trabalho foi com José Aguiar e Paulo Biscaia no bacanudo Vigor Mortis Comics, uma proposta muito divertida que mistura quadrinhos e teatro.

E assim se encerrou minha maratona quadrinhos nacionais. A conclusão foi bem bacana. Tem alguma coisa crescendo, alguma coisa ainda não bem definida, com várias faces e possibilidades. Não dá mais pra dizer "histórias em quadrinhos são desse jeito" porque agora há jeitos demais, vozes demais, caminhos demais. O que é ótimo.

Ainda vale dizer que sábado que vem, dia 28, aqui em Curitiba teremos o pré-lançamento da revista Café Espacial nº9, publicação independente que fala sobre arte, literatura, cinema, fotografia e quadrinhos. Produzida por Sergio Chaves e Lídia Basoli, a Café já ganhou prêmios e reúne em suas páginas um bocado de material muito bom. Por isso estou bem orgulhoso de participar dessa edição.

Sábado, dia 28, a partir da 16 horas lá no Brooklyn Café. Aparece lá pra dar um oi. =)

Foi um sábado muito divertido, que valeu ainda mais por eu reencontrar bons amigos, como o Zé Carlos e a Simone. Saudade desse povo.

Ah, mais uma coisa, eu e o Ivan Mizanzuk fizemos uma entrevista com o Mutarelli que você pode ouvir no Anticast. Tá bem bacana.

Valeu, pessoal!

Até a próxima.

2 comentários:

Gel disse...

Admiro muito vc! Parabéns por ser tão maravilhoso!

liber disse...

Que é isso, Gel... :-)

Obrigado pelo carinho. Adoro vc.
bjs!