quarta-feira, agosto 03, 2011

Capitão América

Dia desses conversando um amigo meu comentou que, quando vão fazer intercâmbio em certos países, os estudantes norte-americanos são orientados a dizer que são canadenses.

Essa... "animosidade" para com os sobrinhos do Tio Sam mostra um dos problemas enfrentados pelo pessoal que produziu Capitão América - O Primeiro Vingador. O filme podia não ser bem recebido, uma vez que seu protagonista literalmente veste a bandeira dos EUA. E o mercado mundial é muito importante para o faturamento de um filme desses.

É muito difícil dissociar toda a carga ideológica por trás do personagem. Entretanto, além da bandeira, o Capitão também é um super-herói. E é aí o acerto do filme.

Não se trata de uma obra sensacional, com sequencias de ação espetaculares em câmera lenta. O filme é bem comportado, modesto até. E carregadíssimo com uma inocência que há muito eu não via na tela.

O franzino Steve Rogers é um perdedor, mas tem um coração de ouro. Está disposto a dar a vida pelos outros não pela grandeza de seu país, mas por puro altruísmo. É sobre essa profunda convicção em fazer o bem ao próximo que é construído o herói. Um herói sim, daqueles de antigamente, com bom caráter e coração.

Num mundo cheio de wolverines, confesso que o bom-mocismo do Capitão me surpreendeu e conquistou a simpatia.

A patriotada americana está lá sim, mas é satirizada.

Único super-soldado, fruto de um experimento que jamais poderá ser repetido, Rogers é transformado em garoto-propaganda. Viaja os EUA fazendo números, cantando em palcos, usando o uniforme-bandeira. E quando vai se apresentar diante dos soldados, recebe zombarias e tomates.

Fiquei muito surpreso com essa abordagem. E os nazistas são apenas citados no filme. Não há uma suástica, uma bandeira. O símbolo do mal é a marca da Hidra, a fictícia agência de espiões do mundo dos quadrinhos.

É tudo um grande gibi, na acepção mais escapista da palavra. Há aventura, há fantasia, há total despretensão. E ainda assim é empolgante.

Como voltar a ser criança e ler uma das histórias do Capitão, quando a gente podia curtir as aventuras de um super-herói sem se sentir culpado por ideologias e colonialismos...

5 comentários:

Rodrigo disse...

Eu gostei bastante do filme. Bem fiel ao espírito dos quadrinhos e honesto!

Agora, do filme do Lanterna Verde tenho medo do resultado...

Abraços!
Rodrigo Stulzer
transpirando.com

José Aguiar disse...

Hoje em dia qualquer um é sombrio e cheio de "ätitude". É fácil fazer pose de anti-herói. Difícil é ser altruísta, ter motivações simples e puras. Enfim, fazer o que sabemos que é certo apenas porque temos essa convicção. Em meio a tantos Wolverines nas HQs e nas telas o filme do Capitão me fez lembrar de como era bom ler essas quadrinhos quando criança. Quando ele não era para mim um soldado, mas um herói.Como tantos outros que se importavam mais com os outros. Bateu uma baita nostalgia do Sal Buscema, do Kirby, do Steranko vendo esse filme. Não vivemos mais em tempos ingênuos, mas foi bom lembrar de como eles eram sonhados. A surpresa do ano para mim.

liber disse...

Concordo com vc integralmente, Zé.

Quanto ao Lanterna Verde, Rodrigo, já estou esperando o pior, então o que vier é lucro... hahahha!

Abs!

Leleca disse...

Olha... eu juro que tava aqui pensando que Capitão América era um filme que eu com certeza não veria (se ainda fosse Capitão Cuba, né?). Mas depois desse post eu fiquei curiosa. :)

liber disse...

Leleca

Vai com fé, que é uma sessão da tarde bem divertida.
;-)

bjs e obrigado pela visita!