terça-feira, outubro 04, 2011

Mamute


Quando fui assistir Mamute, não li nada, não vi trailer, não sabia do que se tratava. Minto: li uma sinopose que falava que pra conseguir sua aposentadoria, um senhor teria que viajar para os lugares onde tinha trabalhado e seu único meio de transporte era a velha moto modelo mamute.

O senhor em questão era interpretado pelo fodão Gérard Depardieu. E parece que o filme foi feito sob medida pra ele. De fato, além da moto, ele também pode ser o Mamute do título, gigantesco, velho, e perto da extinção.




Achei que ia ser um drama francês ou algo assim, mas a primeira surpresa foi descobrir que tratava-se de uma comédia. E descobri isso na sala de projeção mesmo, começando a dar risada de umas cenas completamente absurdas, como a festa de despedida da empresa. Depardieu, aliás, Serge, está se aposentando e os colegas fazem uma festinha animada que nem sala de espera de dentista.

Depois Serge começa a se adaptar à vida de aposentado, fazendo coisas simples como ir ao mercado e tentar consertar o trinco da porta. Os resultados me fizeram lembrar dos filmes do Jacques Tati. Muito bom!

Daí ele descobre que pra pegar o dinheiro da aposentadoria, precisa de comprovantes de todos os lugares que trabalhou. Como o carrro está com o para-brisas quebrado, o único veículo disponível é a velha moto Mamute, esquecida na garagem há anos.

Quando Serge descobre a lona da moto, começam as primeiras surrealidades do filme.

E a viagem é uma sucessão de reencontros com lembranças, familiares distantes e, ao mesmo tempo, uma descoberta de tudo que a vida pode oferecer.

Aliás, é interessante como o filme começa e segue silencioso, sem música incidental alguma. É quando Serge pega a estrada com a Mamute que a música-tema é ouvida pela primeira vez

Um barato é o encontro de Serge com sua sobrinha, uma moça pra lá de maluca que faz umas esculturas bizarríssimas com bonecas e bichinhos de pelúcia. Ela parece que está chapada o tempo todo.


Convidado pela sobrinha pra sair curtir o dia, Serge embarca no lance, fuma, bebe, deita na grama pra curtir o sol e o não fazer nada. E nessa hora comenta: "Já não sou mais jovem pra fazer isso. Não tenho mais 40 anos..."

Se fosse um filme americano, Mamute seria mais uma daquelas comédias que terminam com o personagem aprendendo, superando suas dificuldades, encarando o passado e tendo sua redenção. E é isso aí mesmo.

Mas a história toda é contada de um jeito diferente, surreal, com cenas capazes de deixar qualquer um atordoado. Especialmente a cena do reencontro com o velho primo. (Essa cena é praticamente uma visão do Inferno, mas ao mesmo tempo é muito engraçada).

Mamute é a comédia mais bacana, surreal, poética e estranha que vi esse ano.



Um comentário:

Anônimo disse...

Tbm gostei. Humor non sense. Apesar do turbulento início da projeção lá no Cineplex.

[]´s
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LVR