sexta-feira, novembro 25, 2011

"Sienquévitch"!

Eu sempre curti histórias em quadrinhos. Desde que eu me entendo por gente, tenho um gibi nas mãos.

Quando eu tinha uns 14 anos caiu uma bomba no meu colo: o Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Era uma história intensa e poderosa em que meu ídolo de infância era mostrado como um velho amargurado, mergulhado num mundo violento e complexo.

O Cavaleiro foi a porta que me levou da salinha dos super-heróis para um vasto campo de possibilidades, ideias, cores, imagens e palavras. Eu comecei a reparar que não eram os personagens que levavam a uma boa história, mas os autores, aqueles caras que escreviam e desenhavam.

Por exemplo, tinha esse cara, o Bill Sienkiewicz. Eu comecei a reparar nele nas histórias dos Novos Mutantes, que vinham nos gibis do Hulk. Ele desenhava as histórias, mas fazia as coisas de um jeito um tanto diferente dos outros artistas.


Sienkiewicz juntou-se a Frank Miller e produziu uma graphic novel do Demolidor e a fantástica série Elektra Assassina. Todas as páginas internas pintadas com aquarela, acrílica, spray e sei lá mais o que. E um estilo de desenho caricato, extremamente expressivo, forte.


Era começo dos anos 90 e eu comecei a trocar ideias sobre quadrinhos com meus amigos no curso técnico, comecei a produzir algumas histórias minhas, entrei no curso de quadrinhos da Gibiteca.

Daí, em novembro de 1990, saiu Moby Dick, uma adaptação alucinante em quadrinhos feita pelo Bill Sienkiewicz. Ele conseguiu colocar todas as trocentas páginas do livro de Mellville em 48 painéis estupidamente bem ilustrados. Uma obra que me marcou pra caramba, que virou tema de conversas com meus amigos e que guardo com carinho até hoje.

E foi ela que eu escolhi pra levar por Bill Sienkiewicz autografar lá no FiQ.

O FiQ foi estupidamente maneiro. Teve muitas coisas boas e sensacionais, mas pra mim conhecer o Bill Siekiewicz foi o ponto alto. Foi a primeira coisa que fiz assim que cheguei no Festival.

E cheguei atrasado, porque meu voo de ida tinha sido cancelado. Pensei que ia perder a tarde de autógrafos, mas cheguei a tempo de pegar o último lugar na fila. E o homem estava lá, sorridente, supersimpático.

Lógico que não dá pra conhecer de verdade seu autor favorito numa fila de autógrafos, mas é bacana poder trocar algumas palavras, ver que a pessoa é simpática. Perguntei pra ele (velha curiosidade minha) como é que se pronunciava seu nome. E ele respondeu: "Ah, várias pessoas me perguntam isso. Mesmo a minha irmã pronuncia o nome da família errado. Pronuncia-se..."

Teve muita coisa maneira no FiQ, mas pra mim esse breve momento, essa contato simples foi muito legal. Coisa de tiete.

Mais tarde conheci um pessoal bem bacana na fila pra sessão de bate-papo com o Bill, que foi intermediada pelos grandes Sidney Gusman e Érico Assis. Bati foto na fila com os amigos segurando a senha como se fosse ingresso. Demos risadas. Bati foto de uma menininha que folheava Elektra assassina ao lado do pai.

No bate papo, Sienkiewicz foi sensacional. Ele respondeu perguntas, falou sobre processos de criação, contou histórias. Dava pra ver o quanto ele curtia estar ali. Seus olhos brilhando, o sorriso constante e tudo mais. Uma energia muito legal.

Essa energia esteve presente em todos os momentos do FiQ. E aconteceram muitas outras coisas legais, contato com outros artistas bacanas, descoberta de novos trabalhos e novos amigos.

Mas isso eu vou contando depois.


3 comentários:

Marcos disse...

Gaaaaah! Eu também pirei nos anos 90 com a arte do Sinkíuikis (que é como eu pronunciava). A forma como ele quebrava a narrativa, desconstruía a página, isso tudo. E "Moby Dick". A melhor adaptação dessa coleção. Também guardo com o maior carinho, pena que a minha não é autografada. :-)

Anônimo disse...

Também curti muito o "Sienquiévicz". Louco total!

Abraços!
Rodrigo Stulzer
transpirando.com

Vinicius Rodrigues disse...

Belo depoimento, Liber! Realmente, colocar o olho no trabalho do Bill (Sienk*******) é algo fantástico, que te deslumbra mesmo. Sentir-se sensibilizado pela arte de caras como ele mostra não só essa relação indissociável que os quadrinhos têm com a questão gráfica como nos faz ver também o que conseguem aqueles que são grandes artistas de fato: nos provovar aquela inquietação boa e aquela euforia estranha. O Bill, com seus desenhos, consegue isso.

Um abraço!