quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Letícia


Uma máscara. Era assim que ele se definia a quem perguntasse (não que alguém efetivamente o fizesse). Como se todos os dias fossem Carnaval, como se a fantasia fosse roupa de civil, de todo dia, de ir ao trabalho, à feira e ao cinema.


Vestia sua roupa de pierrô, com lágrima escorrendo no rosto e sorriso rasgado na cara, e ia interagir naquele grande baile de máscaras chamado mundo. Ninguém parecia se incomodar com a fantasia alheia. “Cada um é o que aparenta ser”, era a regra. Fazia todo o sentido encontrar Cleópatra na fila do pão ou o homem das cavernas no bar. Eram máscaras, e nada mais. Para levar a existência de forma que ninguém se perguntasse o porquê.

Letícia Simoni Junqueira
Chá-tice

2 comentários:

liber disse...

Você pode conferir a íntegra do texto citado acima em: http://www.cha-tice.com.br/592006-020307-pm/

Uma Princesa em cima de um pé de Tangerina... disse...

Ela escreve muito!