segunda-feira, abril 02, 2012

Na roda da fortuna


Ando meio nostálgico.

Relembrando coisas da década de 1990, revendo trabalhos, procurando velhas fontes de inspiração. Enfim, revisitando coisas queridas.

Daí, final de semana passado, revi Na roda da fortuna (The Hudsucker proxy), um filme dos irmãos Coen de 1994.

Caraca.

É difícil falar desse filme sem estragar algumas surpresas legais. É daqueles filmes que você tem que saber o menos possível. Se você não sabe nada sobre ele, ótimo. Não leia sinopse, evite até de olhar pra caixa quando você alugar o dvd.

Na roda da fortuna é um dos filmes mais sensacionais que já assisti. Ele é caricato de uma maneira genial. Os Coen conduzem sua história como se estivessem filmando um grande desenho animado. Há uma inocência, um sentimento de pureza que é realçado pelo modo como os atores interpretam. É tudo um grande e fantástico desenho animado feito com pessoas de verdade.

Ele também tem uma cara de homenagem ao cinema clássico. Sei lá, acho que são os cenários suntuosos, a trilha sonora espetacular, que amplia a mil as emoções. É um filme todo exagerado.

O ritmo é envolvente, apresentando uma série de sequências que vão te prendendo cada vez mais.

Tudo gira em torno de Norville Barnes (interpretado por Tim Robbins), recém chegado do interior e cheio de grandes ideias. Uma delas ele faz questão de mostrar a todo mundo que encontra: um papel dobrado com um círculo desenhado. "Você sabe, é pra crianças", ele diz, fazendo parecer que sua ideia é a mais simples (e talvez mais genial) do mundo. E quando descobrimos o que Norville tinha planejado, vemos que era mesmo uma ideia simples e genial.



Quando assisti Na roda da fortuna pela primeira vez, há quase vinte anos atrás, fiquei encantado. Como alguém podia fazer um filme assim? Como alguém podia brincar com as regras de contação de histórias daquele jeito?

E agora, revisitando o filme, ainda acho ele sensacional. Eu me surpreendi, porque ele era tão bom quanto eu me lembrava. Inspirador.

É uma história sobre criatividade, sobre leveza de espírito e inventividade.

Se você conhece os filmes mais recentes dos irmãos Coen (como Onde os fracos não tem vez e Bravura indômita), talvez ache Na roda da fortuna um tanto diferente. Mas vai se surpreender positivamente.

E lembre-se: não leia nem sinopse, só assista ao filme.

E divirta-se.

:-)


2 comentários:

Andrea kinkowski disse...

Passei a manhã inteira falando o "slogan" do produto principal... hahhahahah
é viciante!!

José Aguiar disse...

"Sure, sure, sure...". Um grande filme que poucos lembram. Revi não faz muito tempo. Continua impagável!