sexta-feira, junho 01, 2012

Aproveitando a vida

Minhas memórias mais queridas, meus momentos mais felizes, relacionam-se mais com as pessoas com quem vivi do que os momentos que vivi.

São conversas, risadas, trabalhos, viagens. 

E tenho um carinho especial pelas conversas na madrugada. Depois dos shows, das bebedeiras, voltar pra casa conversando. Olhando pras janelas, especulando sobre as vidas adormecidas. E acabo lembrando também das tardes ociosas de sábado, dos gibis que um emprestava pro outro, das músicas que ouvíamos.

Legião, Nick Cave. E os gibis: Demolidor, Batman, os Piratas do Tietê. E no meio daquilo tudo, tinha o Trasubstanciação do Lourenço Mutarelli sempre em algum canto da sala. A gente lia e pirava com a história do Thiago e seu pai disforme.

Quando fiz meu mestrado e comecei a pesquisar a fundo a produção de histórias em quadrinhos do Mutarelli, tive uma constante sensação de que meus velhos amigos estavam comigo, de certa forma. Nos textos, nas histórias, nas ideias de Lourenço era como se eu estivesse novamente conversando com amigos queridos que nunca mais vi.

“Das coisas que tive, as que mais me fazem falta, das que mais tenho saudades, são aquelas que eu não podia tocar”. A frase é de O cheiro do ralo, o primeiro livro "literário" de Mutarelli.

Lourenço fez quadrinhos por um bom tempo e, num carnaval, feriadão prolongado, sozinho em casa, escreveu o livro em quatro ou cinco dias. Depois disso, mergulhou no universo da literatura.

Adoro os quadrinhos do Lourenço, mas às vezes penso que seus livros são ainda melhores. A arte de produzir efeitos sem causa é uma das histórias mais perturbadoras que já li. 

Enfim, pra mim Lourenço Mutarelli é um nome que respeito e admiro muito, que me traz ótimas lembranças, que associo com ótimas ideias e pessoas queridas.

Daí que, quando me convidaram pra mediar uma mesa com ele lá em Marília, eu fiquei muito feliz.

Foi a 3ª Conversa com o autor, promovida pelo grupo PET de Ciências Sociais da UNESP de Marília em conjunto com a Associação Café Espacial. Foi uma tarde e uma noite falando sobre criatividade e ficção com o Lourenço Mutarelli.

Novamente, foram as pessoas ao meu redor que fizeram o momento tornar-se uma lembrança muito feliz.

Cibele, Eduardo, Sérgio, Lídia, que me receberam super-bem e me fizeram sentir em casa, que me apresentaram a cidade de Marília, que me deram a oportunidade de participar desse momento. E, lógico, Lourenço Mutarelli.

Escutar o Lourenço sempre é uma experiência bacana. Ele fala com calma, é bem-humorado, tem boas ideias. Fala sobre criação, sobre rotina, sobre disciplina, sobre cotidiano, sobre bloqueios, sobre o Mal, sobre cinema, sobre interpretar. 

E depois da mesa, fomos jantar com os amigos e no fim estávamos lá, caminhando pela cidade de madrugada, conversando sobre mil assuntos, a cabeça flutuando em vinho e ideias. Sentamos na calçada e era como se eu estivesse de novo com os velhos amigos, com a velha turma. Mas eram rostos novos e, dessa vez, o próprio Mutarelli estava com a gente.

Um desses momentos que a gente leva no coração pelo resto da vida.

:-)


Um comentário:

Anônimo disse...

E o Liber é o mais felizão de toda a turma! :-)

Abraços!
Rodrigo Stulzer
transpirando.com